terça-feira, 28 de abril de 2009

QUANDO NÃO SE ENTENDE O QUE ESTÁ LENDO

Suamy V. Lacerda de Abreu
Professor de História

Quem acessou o blogdotionaza.blogspot.com, e viu a proporção que tomou a contenda criada pelo Artigo “Em Rondônia é assim mesmo...”, de 22 de março de 2009(domingo), com mais de 100 respostas contendo apoios e repúdios e, tiver o mínimo de equilíbrio, após ler alguns posicionamentos de alunos e populares terminará até pela falta de ver o ciclone que a turma do repúdio enxergou dando razão ao “tio Nazareno”. Isso se for considerado que em um estado democrático de direito é livre aos indivíduos a emissão de ponto de vista crítico ou não a respeito de qualquer assunto que lhe incomodar ou que for de interesse público. O que se viu foi um ataque desorganizado, atabalhoado contra o artigo do professor, alguns até duvidando de sua idoneidade moral ou da qualidade de seu trabalho, outros através da livre e espontânea pressão o convidando a retirar-se de Rondônia, enfim um conjunto de posicionamentos insensatos e que terminaram por levar os mais esclarecidos a concordar com o “errado Professor Nazareno” puramente por falta de opção. Talvez o professor não tenha escolhido o melhor jogo de palavras para organizar o artigo de forma que apresentasse a mesma situação sem que a mesma fosse entendida como agressão aos rondonienses. Cabe aqui deixar claro que: quando não se concorda com a tese de alguém, se organiza uma antítese fundamentada em valores contrários ou diferentes apresentando argumentos que contraponham a tese, de forma que se consiga ao menos convencer através de idéias o público alvo à qual foi destinada a tese, isso se considerarmos a premissa que “brigam as idéias não os seres humanos”. Hoje qualquer pessoa que tiver a coragem ou autenticidade para apresentar problemas (falar a verdade) é considerado doido, e foi exatamente isso que aconteceu com o tio Naza. O que a meninada está precisando é ler um pouco mais, mais concentração em leitura para que possam entender o espírito do texto, e de estudar muito para mudar essa realidade cultural brasileira de aceitar as coisas sem questionamento. É lógico que o professor que redigiu o artigo sempre deixou claro não gostar da idéia das usinas de energia, bem como possui ponto de vista formado a respeito dos rumos da cultura regional, de futebol, de religião e outros que inclusive são contrários ao de muita gente, porém realmente necessitamos discutir as questões que envolvem o estado, o município com equilíbrio e elegância, sob a luz da ética, sempre buscando alternativas e nunca convidando cidadãos a “juntar a bagagem” e mudarem-se de cidade ou estado, até porque isso nos tornaria realmente habitantes de um rincão inóspito, criando um problema grave de ter que na pior das hipóteses esvaziar o estado. Tudo indica que grande parte dos leitores, ou não leram o texto todo, ou foram induzidos por alguém a tomar posicionamento imediatista, ou são hipócritas, ou são oposicionistas de plantão ( e aí sim, temos um problema que é o fato de vivermos em meio a extremistas). É preciso com certeza separar o joio do trigo, e entender que parte do que o professor enfatizou foi para despertar nos rondonienses que vivam mais as coisas de sua região, ou seja, que mais ardorosamente demonstrem mais envolvimento com as coisas do estado. Talvez o professor não tenha alcançado seu objetivo, porém uma coisa é certa seu blog foi bem visitado. Amém.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ARTIGO - A gripe suína e o “Espírito de Porco”

- Professor Nazareno*

A recente crise econômica global ainda não deu sinais de acabar e o mundo é sacudido mais uma vez por uma nova e perigosa ameaça: a gripe suína. Originária do México, até agora ela já se alastrou por vários países em pelo menos três continentes. Espanha, Nova Zelândia, Escócia, Canadá e Estados Unidos já têm casos oficialmente registrados. No Brasil há vários casos sob suspeita e as autoridades mundiais estão sob constante alerta. O Governo Federal criou um gabinete para acompanhar a possível evolução da doença no país. Vários aeroportos estão sendo monitorados. A OMS, Organização Mundial da Saúde, da ONU, já alertou autoridades e sanitaristas do mundo inteiro para a possibilidade de uma pandemia. No âmbito local, será que já deslocaram equipes para o Aeroporto Internacional Governador Jorge Teixeira de Oliveira?


Em Porto Velho, no entanto, o clima ainda é de tranqüilidade absoluta. Como muitos afirmam e podem até jurar que a crise econômica mundial não chegou por aqui, é bem possível que a “peste dos porcos” nem queira também aparecer entre os rondonienses. O prefeito Roberto Sobrinho nem se pronunciou sobre a estratégia da Prefeitura Municipal e da sua Secretaria de Saúde caso se admita a ‘remota possibilidade’ da epidemia ‘querer beber água do Madeira’. No cenário estadual, o governo de Ivo Cassol também não se pronunciou sobre o perigo iminente. Esta inexplicável tranqüilidade das nossas autoridades tem, certamente, alguma razão aparente: diante da anunciada catástrofe elas ainda dispõem de tempo para confrontar, na mídia, os péssimos números do atendimento (de um e de outro) na área da saúde.

O Hospital de Base Dr. Ari Pinheiro e o Pronto-Socorro João Paulo Segundo devem ser as estratégias apresentadas pelas nossas autoridades para enfrentar a possível crise. Referências nacionais em bom atendimento e também na cura e tratamento de várias patologias, estas duas unidades hospitalares contam com os serviços profissionais de médicos extremamente dedicados, competentes e preocupados com a saúde preventiva da população. Mesmo sendo o estado do país onde existe o menor percentual de médicos por habitantes, Rondônia ainda pode contar com uma excelente rede de Postos de Saúde dos municípios. Em Porto Velho, várias policlínicas: Ana Adelaide, Rafael Vaz e Silva, Alfredo Silva, etc. Na área particular, os planos de saúde (totalmente desnecessários devido à competência do Estado nesta área), poderão servir de auxilio complementar cedendo suas estruturas com tecnologia de ponta e acomodações de Primeiro Mundo.


Certamente a peste suína não vai chegar por aqui. Com água tratada e saneamento básico de fazer inveja a qualquer capital do país, uma infra-estrutura urbana digna das capitais européias, uma excelente rede de atendimento médico nas áreas pública e particular e um clima de “Alpes suíços”, a “cidade das hidrelétricas” está pronta para enfrentar qualquer adversidade. Não será ‘um resfriadozinho qualquer’ que vai nos tirar o sono. Mas nunca é demais lembrar que outra gripe, a Espanhola, há menos de um século, matou mais de 40 milhões de pessoas no mundo inteiro e ceifou a vida até do presidente do Brasil na época, Rodrigues Alves. E os nossos mandatários que se cuidem: com este ‘espírito de porco’, ainda assim, eles não estão imunes a nenhum tipo de doença, principalmente a chamada gripe suína.

*Leciona em Porto Velho (profnazareno@hotmail.com).

domingo, 26 de abril de 2009

Católicos “made in Paraguai”

Professor Nazareno*


Religião não se discute. Política e futebol também não, diz o anedotário popular. Mas diante de tanta confusão provocada por vários integrantes da Igreja Católica tanto no Brasil quanto em vários países do mundo, a exemplo dos Estados Unidos, onde vários padres recentemente se envolveram em escândalos de pedofilia, não há como deixar de se promover uma boa discussão sobre este assunto. Recentemente o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ex-bispo da Igreja Católica em seu país, assumiu a paternidade de um filho, concebido quando ele, Lugo, ainda era religioso e a mãe do garoto tinha apenas 16 anos. Duas outras mulheres também afirmam que tiveram filhos com o presidente e exigem que ele assuma a paternidade. Há relatos que seriam quase duas dezenas os ‘herdeiros’ do viril religioso, agora sério candidato a “pai de todos os paraguaios”.
Por que integrantes de algumas religiões não podem constituir uma família de forma absolutamente normal? Por que um dos votos da Igreja Católica é justamente o voto de castidade? Os mandatários católicos afirmam ser muito difícil para um homem normal conciliar o sacerdócio com a vida em família. Pura lorota. Os padres e freiras não podem casar para que não apareçam filhos e óbvio, herdarem os bens da Igreja Católica que, aliás, não são poucos. Não é à toa que outro voto seja exatamente a pobreza. Castidade, pobreza e obediência não necessariamente nesta ordem, são os votos que todos os candidatos a padre, ou freira, estão sujeitos a aceitar. Uma verdadeira ditadura teocrática imposta a esses cristãos. Além do mais, no caminho inverso ao que prega a Santa Sé, muitos cristãos católicos têm filhos em vários casamentos e como garanhões, às vezes, se orgulham das muitas mulheres que já tiveram. Cadê a indissolubilidade familiar que pregam para os outros?
Talvez não devêssemos polemizar ainda mais. Afinal, religião é um dos assuntos que não se discute. Mas estaria um religioso apto a opinar sobre temas que desconhece? A sexualidade é um exemplo (Lugo, claro, é exceção). Talvez este seja um dos problemas da iminente extinção dos católicos no Brasil. Em uma publicação do IBGE sobre o censo de 2.000, observava-se que os católicos brasileiros haviam diminuído de 83,8% para apenas 73,8% em apenas uma década. Enquanto isso, os evangélicos tinham crescido de 9% para 15,4%. Hoje, quase uma década depois, estes números estão bem maiores. E se a tendência continuar com este impressionante ritmo, em menos de um século, o Brasil terá que devolver o Núncio Apostólico ao Vaticano. Não seria mais lógico para o catolicismo abolir o celibato clerical para não mais ter alguns de seus integrantes envolvidos em escândalos de pedofilia ou comparecendo às barras dos tribunais e tendo que, humilhados, assumirem a paternidade de vários filhos?
Já pensou se todo mundo resolvesse, como gostaria a Igreja Católica, ser padre ou freira? A população do planeta simplesmente acabaria. A humanidade pararia de crescer. E como ficaria a máxima divina “crescei e multiplicai-vos”? É provável que Deus não veja esta posição da Igreja Católica com bons olhos. Afinal não se pode entender como simples homens decidem interferir no mais sublime dos instintos humanos: a perpetuação da espécie. Como não há sentido em se multiplicar após a morte (levando-se em consideração a existência da vida eterna), os evangélicos e outras religiões ganham espaço neste terreno prometendo o paraíso aqui mesmo na terra e praticando sexo, muito sexo mesmo. Só que de maneira legal e ética e evitando assim esse constrangimento perante o mundo que se diz civilizado.


*O professor Nazareno leciona em Porto Velho.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Indigna ação.

O brasileiro é um barrista não porque trabalhe em barras-fixas, pois nem todos são ginastas, apesar da grande maioria fazerem ginástica para poder viver com a miséria que ganham. Alguns são oleiros é modelam o barro, mesmo os que não fazem tijolos, telhas, bilhas, potes, esculturas de barro e etc. São todos barristas ou pseudo-barristas, já que todos do seu modo defendem seu torrão natal. Mas não é amor a terra onde nasceu, o que sente estes ufanos defensores do seu lugar natural. Acredito que seja uma autodefesa. Quando um forasteiro fala mal do nosso lugar ficamos todos melindrosos e gritamos logo,alto lá! Isto existe em todo o mundo, não é coisa apenas daqui. Agora, eu vós pergunto, quando agimos assim, não estamos sendo covardes e empurrando a sujeira para debaixo do tapete. A boa justiça não começa de casa? Quando o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil era um país provinciano, muitos se chocaram, e ficaram ofendidos. Mas não é verdade? Este lado melindroso do povo brasileiro seria salutar se reverter-se em indignação e repulsa à banalização de todos os erros e males de nossa sociedade. Para começar, se este falso melindre produzir-se uma autocrítica seria um ótimo começo para eliminarmos os males éticos e morais seculares que corroem o seio da nossa sociedade, e que herdamos dos tempos coloniais. Nos últimos dias em nossa cidade se criou uma celeuma por nada, só por causa de algumas verdades que foram publicadas na internet, a respeito da falta de estrutura, do provincianismo, do improviso eterno, da falta de polidez , de cortesia, e por ter falado do exerço de grosseria de muitos, da falta de consciência política e social de nosso povo, e do exerço de atos esdrúxulos, escusos e imorais dos homens públicos do legislativo e do executivo de nosso Município e do nosso Estado. Alguns em maior grau de gravidade e outros menor, mas não existe meio corrupto. Quem desviou um centavo de real, é corrupto da mesma forma de quem desviou milhões de reais. Não existe meio corrupto. Diante de tudo isso e da certeza que temos um espírito de tartaruga, lembrei dos versos de Samuel Rosa e Chico Amaral, “A nossa indignação/ É uma mosca sem asas/ Não ultrapassa as janelas/ De nossas casas.”¹ Será que a nossa nação é indigna? Não indignar-se com as afrontas cotidianas, com as ações vergonhosas, com as injustiças sociais? será que as indignas ações brasileiras de autoridades ou de homens comuns, são banalidades, frivolidades e não merece ser divulgadas e combatidas? E quem as expõem, são inimigos da pátria, do povo e da ordem e merecem ser condenados? Ou será que são verdadeiros amantes da terra natal e são homens dignos porque são cheios de indignação e de ações.

Prof. Cícero
http://latuscultus.blogspot.com/

domingo, 19 de abril de 2009

O GÊNIO CHAMADO CARTOLA

A genialidade não escolhe classe social,ela é inerente ao ser humano.A vida parece querer ensinar-nos uma lição de simplicidade.Somos teimosos,ser simples com naturalidade não é tão fácil.O encanto que enche as nossas almas está na simplicidade e genialidade desse poeta da vida.Sua vida é comum a maioria dos brasileiros,de origem humilde,sobrevivia como podia e graças a sua perseverança temos inúmeras canções imortalizadas pelo talento desse personagem.Não foi difícil os grandes poetas e compositores de sua época reconhecerem a beleza de seu trabalho.No morro fez sua escola e uma das mais tradicionais agremiações do samba o tem como fundador,seus belos enredos ainda são e serão motivo de embevecimento.
Ah,Mangueira tua grandeza está enraizada na figura desse ícone do samba.Como não reverenciar também dona Zica que junto com Cartola a tornaram grande?Mas o motivo de agora não é tu ó Verde e Rosa de emoções,tu foste a vida dele e separá-los seria uma heresia.De ti também guardo admiração. As dores e amores do nosso artista ímpar estão representadas em suas composições,mal sabia que uma multidão também sentia e ainda sente o mesmo,como diz uma delas em homenagem a ti a parafrasearei "nós exalamos o perfume que roubamos de tuas palavras",tu tocaste fundo em nossos corações. Quem te visse passar pelas ruas agora,não saberia tratar-se de um anjo que nos reconforta com as palavras.Estamos cada vez mais escravizados pelas aparências que esquecemos a essência do ser e isso é intransferível,tua essência permeia a nossa vida.Dizê-lo grande é poder usufruir dela e tornar nosso dia mais belo.Não ,não anuncio a hora da partida,pois cada vez que ouvimos suas canções mais cresce em nós o desejo de ouvi-lo mais,afinal tu és fonte inesgotável de inspiração.


categoria: crônica
www.poesiemfoco.blogspot.com

terça-feira, 14 de abril de 2009

Célula-tronco confronta Obama e Igreja Católica

Cidade do Vaticano - O presidente dos EUA, Barack Obama, entrou em rota de colisão com o papa Bento XVI e com a Igreja Católica norte-americana ao suspender na segunda-feira as restrições ao uso de verbas federais para pesquisas com células-tronco embrionárias. Líderes do Vaticano e da Igreja nos EUA e na Itália criticaram a decisão. A medida assinada por Obama reverte e repudia as restrições adotadas por seu antecessor, George W. Bush, e permite que laboratórios de todo o país comecem a trabalhar com esse tipo de células-tronco, espécie de “manual de instruções” capaz de dar origem a qualquer tipo de tecido ou órgão. Os cientistas esperam que as pesquisas levem à cura de diversas doenças degenerativas, e dizem que as pesquisas com células embrionárias são mais promissoras, embora tenha havido recentes avanços no uso de células adultas. Já os grupos religiosos se opõem ao uso de embriões por considerar isso uma forma de aborto. Os defensores da prática dizem que os embriões usados, que sobram em clínicas de fertilização, seriam descartados de qualquer maneira. O cardeal Justin Rigali, presidente do comitê de atividades pró-vida da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, qualificou a decisão de Obama como “uma triste vitória da política sobre a ciência e a ética”. “Esta ação é moralmente errada porque encoraja a destruição de vida humana inocente, tratando seres humanos vulneráveis como meros produtos a serem colhidos”, acrescentou. Um artigo publicado ontem no jornal L’Osservatore Romano, porta-voz extraoficial do Vaticano, disse que “uma real democracia” deveria se fundamentar na proteção da dignidade humana em todas as fases da sua existência. Monsenhor Elio Sgreccia, importante especialista em bioética do Vaticano, disse à imprensa italiana que “o motivo para esta decisão deve ser visto sob a pressão dos lucros”.(Fonte: Gazeta do Povo)
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domingo, 12 de abril de 2009

NO PAÍS DAS PIABAS

-Assim não dá,não podemos deixar aquele Jaú safado tomá conta da situação.
-Calma querido,nós num pode fazer nada,foi sempre assim e sempre será,se conforma.
-Num quero nossos filhos precisam ter a garantia de que a vida deles vai ser melhor,viver desse jeito é melhor nem viver.
-Num é pra tanto,viu as coisas se ajeitam,tenha paciência.

Todo dia o casal brigava pelas mesmas coisas,o filho mais velho estava estudando fora da região para garantir um futuro melhor.Sua chegada era próxima.O presidente do país sentia-se impotente diante de tantos problemas para resolver.Fora escolhido por sua força e valentia.Era o mais poderoso entre todas as piabas da região.Dourado,o nome dele,andava muito com seu segurança,o Tucunaré.O país sofria com a dizimaçao de sua espécie pelo predador mais terrível que já existira,o bicho da superfície.Eles entravam no lago e levavam uma multidão de piabas em suas redes,se não bastasse isso,jogavam detritos no lago,sufocando e deixando outros tantos de piabences doentes e fadadas à morte.Contava a lenda que eles comia até sua própria espécie,ninguém desse pais conseguia imaginar que isso pudesse ser verdade.Não podia haver na natureza alguém tão cruel.
As leis desse pais se cumpridas poderiam minimizar as dores da população,o problema é que o Senado e a Câmara era guiada por interesses de quem patrocinava a candidatura dos representantes do povo.Em meio a tantos problemas,chega uma minúscula piabinha,recém formada e cheia de sonhos em construir um mundo melhor.Os pais dela haviam finaciado seus estudos.Desconhecia que o país estava tão ruim assim,pois os pais sempre esconderam-lhe a verdade,nao queriam desviar a atenção do filho.Muito esperançoso por mudanças,conseguiu que uma reunião à margem do lago fosse organizada,à contra-gosto,porque os poderosos não admitiam que seus privilégios fossem afetados e suspeitavam que essa pequena piabinha pudesse causar tanto estrago,afinal ninguém sabia de sua índole.
A população estava ansiosa por novidades e viram nele a possibilidade de verem seus problemas diminuidos.Os pais dele estavam presentes.Tomou a palavra.
-Quando nasci,cresci com o temor de ser engolido pelo bicho da superfície,eles acreditam se assim o fizerem poderão nadar tal qual qualquer um de nós.Se unidos formos poderemos reverter a situação,depende de cada um acreditar e tranformar o mundo em que vive.Comecem pelo lar de vocês e vão num crescendo que tudo dará certo.
Todos sabiam que aquilo fazia sentido e mudar era algo urgente,necessário,aos poucos a população o aplaudia e sua popularidade era inevitável,o Jaú não podia admitir que aquilo fosse adiante,pegou da palavra em seguida.
- Quem você pensa que é para por em dúvida a força do Estado,nós somos capazes sim de suprir as nacessidades de nossa gente,não será nenhum impostor que provavelmente é financiado pelos banqueiros que irá mudar o mundo.Que brincadeira é essa?Você está querendo é se promover e como responsável por esse pedaço de território não admitirei que ninguém questione nossa força.O bicho da superfície um dia será exterminado por si mesmo e nós vamos sobreviver a eles.Tomado dessa suposta autoridade e vendo que suas palavras surtiam um certo efeito nos ouvintes,devorou sem demora a pequena piabinha.Para eles isso também era natural,tanto que nem se constrangeram.Os pais do devorado,cabisbaixos,saíram sem dizer palavras.Só se ouviu um leve sussurro:
-É querida num tem jeito não,vamo esperá a morte chegar,que ela venha ligeira como veio pro nosso filho.

categoria: crônica

sexta-feira, 10 de abril de 2009

“Para muito além dos facões..."

Professor Nazareno*

A propósito das reações ao texto... “Em Rondônia é assim mesmo...”, publicado em alguns sites da capital e neste Blog, percebo como perfeitamente aceitável o fato de que pessoas se indignaram bem como louvável também o fato de que algumas outras me apoiaram. O problema ainda continua sendo a reação daquelas que não conseguiram ter reação, ou por que não leram, ou por que leram e não entenderam, ou por que simplesmente não se interessam por este tipo de discussão. “O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença”, diz assim um velho ditado popular. Por isso o texto em questão é antes de tudo uma declaração de amor a Rondônia, mais especificamente a Porto Velho. É um grito indignado contra os revezes impostos pelo capital ao nosso já cambaleante meio ambiente amazônico. É um grito de dor pela História que desaparecerá. Se a Madeira - Mamoré é ensinada religiosamente como parte integrante do nosso passado, ela não mais será necessária: as cachoeiras que lhe margeiam os abandonados trilhos desaparecerão para sempre nos futuros navegáveis trechos que lhe deram origem. Como prostitutas ordinárias, dissemos sim ao cliente (Senhor Corrêa) que nos usa e abusa, e ainda me paga com dinheiro imprestável e sujo de gesso que cai em nossas cabeças. Se me estupram, por que tenho ainda que pagar pelo preservativo? Não há outro animal que ria da própria desgraça senão a hiena que se alimenta de carniça... Digo hiena para não ofender araras, papagaios, antas, pacas, capivaras...
Somos mais ou menos quatrocentas mil almas e quase fomos vencidos por apenas uma: a da senhora Andrea Rocha Izac, aquela que dizem ter dado uma entrevista a Eliane Brum, repórter da revista Época logo após a publicação do meu texto. Ela merece uma estátua bem grande, de uns 50 metros de altura lá na Avenida Jorge Teixeira ou no Centro da cidade, ou em outro lugar, por ter ‘levantado a lebre’. Toda vez que um porto-velhense a visse, lembraria das mazelas desta cidade e cobraria providências dos seus desastrados administradores, que são cegos, relapsos ou incompetentes, por falta de dinheiro ou de capacidade de administrar o dinheiro que têm à disposição. Seria bom perguntar por que apesar de tão pequena, esta cidade pode ser mais violenta do que o Sul do Pará ou o Rio de Janeiro das intermináveis guerras em suas favelas. Ou por que produzimos tantos pobres, apesar das muitas chuvas, quanto o árido sertão do Nordeste. Políticos são mortos e já o foram em outros lugares do Brasil e Secretários de Segurança Pública também, mas se esses casos acontecem aqui, no nosso quintal, têm e devem ser motivos de preocupação para todos nós.
Quem sabe esta estátua não faria os rondonienses lembrarem do melhor executivo do mundo, apontado pela revista Financial Times de Londres, Carlos Ghosn, o todo-poderoso presidente da Renault e da Nissan? "Ghosn tem um cérebro privilegiado. É capaz de empacotar centenas de dados ao mesmo tempo e utilizá-los de forma a enxergar o que ninguém vê", afirmou recentemente Jean-François Manzoni, professor de liderança e desenvolvimento organizacional do Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, na Suíça, que já esteve com Ghosn várias vezes. Poderíamos nos lembrar também de José Maurício Bustani Júnior, diplomata de carreira e que foi eleito diretor-geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), subsidiária da ONU, Organização das Nações Unidas, para o período 1997-2000, e reeleito para o período 2001-2005, mas não chegou a concluí-lo, por insistência do governo dos Estados Unidos em sua remoção, que ocorreu em 2002. Bustani conseguiu ‘peitar’ os falcões do Pentágono e enfrentou nada menos que George W. Bush no episódio das armas químicas e de destruição em massa que Saddan Hussein não tinha. Na época, a União Européia admitiu concordar com o relatório feito por ele e que denunciava os norte-americanos. “Não se faz uma guerra baseando-se numa mentira”, teria afirmado sobre o episódio, frase copiada por vários líderes mundiais.
Bobagem dizer que estes dois grandes homens são rondonienses e filhos de Porto Velho se aqui temos a “Bailarina da Praça”, “Manelão” da Banda-do-vai-quem-quer e Zezinho do bloco carnavalesco Maria Fumaça, e que justiça seja feita, fazem a alegria de todos. Qual o lugar do planeta que não se orgulharia daqueles dois filhos ilustres e abençoados? Será que Porto Velho já ouviu falar deles? Meus filhos já! Bisnetos de Parintintins, da margem direita do Madeira, sempre foram ensinados a amar esta terra, já que eu, “comedor de calango”, não posso. Eles são ensinados a não votar mais em prefeitos com o maior número de obras inacabadas do Brasil. Foram ensinados a repudiar uma população que literalmente defeca em seus monumentos históricos (os bravos pioneiros devem chorar quando vão à E.F.M.M). Eu choro quando volto à Calama dos casarões do Segundo Ciclo da Borracha que estão apodrecendo. Meus filhos também são ensinados a não adotarem o senso-comum quando tiverem que repudiar uma opinião. E já sabem que não adianta citar Voltaire quando os facões estiverem zunindo rente às suas cabeças. Mas, teimosos que são, insistem em querer ouvir Mp3, esnobar o novo celular para os amiguinhos, navegar na Internet, curtir MSN e Orkut e se encantar com Shopping Center e McDonald’s da vida achando que o papai e a mamãe, às vezes altos funcionários do Estado, lhes darão qualquer cobertura. A cidade de Porto Velho é mesmo este paraíso de coelhinhos saltitantes e borboletas azuis e por isso canta-se “Céus de Rondônia”, na versão oficial, e finje-se não existirem outras interpretações. “Maquio o monstro e faço plásticas no cadáver” e ainda consigo dormir em paz comigo mesmo.
Bravos rondonienses de Porto Velho, guardem seus ‘cravinotes, busquetões e trabucos’. Eu sou da paz, mas digam ao mundo que vocês, como rondonienses que são, ainda têm Vilhena (“que nem calor opressor tem”), Cacoal, Ariquemes e Rolim de Moura, para não citar outros exemplos de cidades interioranas deste estado, que deviam fazer parte do Primeiro Mundo. E que com apenas trinta aninhos ou menos, nos dão muita inveja, mesmo com alguns defeitos, pela sua pujança, organização e desenvolvimento. Admitam o péssimo atendimento médico que temos em Porto Velho tanto na área particular como, principalmente, na área pública e que foi denunciado pela revista Época e aceitem que não estamos encontrando saídas para este e para outros gravíssimos problemas. Só podemos transpor os nossos obstáculos se conseguirmos vê-los e entendê-los e não será apontando os defeitos alheios que resolveremos os nossos. Expulsem todos os que falam mal desta cidade, mas isto não aumentará os apenas três por cento de saneamento básico nem os ridículos 20 % de água tratada que temos, apesar de termos o já sentenciado de morte rio Madeira correndo bem ao nosso lado. Rogo-lhes perdão, mas isto também não resolverá os buracos das ruas e avenidas, os infernais engarrafamentos, a violência, a sujeira, a falta de ética na política local, as epidemias e nem nos devolverá a Jorge Teixeira e a Imigrantes, avenidas que o atual prefeito deu de presente ao Governo Federal. Perdoem-me, rondonienses, mas saibam que o ônibus continuará caro, a carne e o aluguel também e o porto que dá nome à cidade ainda não será porto. É apenas um barranco sujo e mal cuidado. Degolem-me, mas não se esqueçam de prestigiar o clássico do futebol local e de comprar pupunha, açaí, biribá, pequiá, bacaba, bacuri e tantas outras deliciosas iguarias regionais quando forem, em junho próximo, ao arraial “Flor do Maracujá”.


*É professor na Escola João Bento da Costa em Porto Velho

Fonte: www.blogdotionaza.blogspot.com

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ARTIGO – Burrice e/ou arrogância

– Por Carlos Moreira

Roland Barthes afirma que a expressão “ideologia dominante” é, na verdade, um pleonasmo, porque a ideologia nada mais é do que a idéia enquanto ela domina. E propõe, como substituto do conceito, “ideologia arrogante”, ou seja, aquela que, além de dominar, dá a si mesma o poder de dogma, e anula qualquer chance de contestação. É essa arrogância, mãe e fruto da burrice, que está sendo usada contra o artigo de José do Nazareno, “Em Rondônia é assim mesmo...”, publicado em seu blog. Não apenas contra o artigo, mas (o que é mais grave, porque cheira a fascismo) contra o próprio autor do texto.
Algumas questões devem ser levantadas: 1) por que um texto “me ofende”? Porque me identifico com o que ele ataca? Porque a “carapuça serviu”, o espelho revelou a verdade e o reflexo monstruoso sou eu? 2) O que fazer ao discordar de uma opinião? Negar-lhe o direito de ser opinião ou responder a ela no seu contexto de arena? Porque não responder à crítica com uma crítica, a um texto com outro texto, e não com uma perseguição de colméia (poderia dizer alcatéia, manada, cardume, máquina tribal) que propõe apenas o silenciamento? 3) Por que não entender a função de um texto opinativo como algo que exaspera, que irrita a pele do tédio e chama pra briga? Por que negar a um intelectual sua posição de contracorrente, de contra-pêlo, nem que seja “só pra exercitar?” Não lemos nada, não ouvimos nada, desde Lima Barreto (“Eu escrevo como quem morde”) até Caetano (“caminhando contra o vento / sem lenço sem documento”)? E o número de questões poderia continuar em infinita teia.
Eu teria, de minha parte, apenas uma contestação a fazer ao texto em questão: ele deve ir mais fundo, e abarcar o que alguns ainda chamam de “brasil”, senão de “mundo ocidental”. Nazareno acertou mais longe do que imagina. A moral torta e falsa desse talibã em que vivemos impede não apenas nosso olhar, mas nossa voz. Esse fundamentalismo de terceira que parece querer engolfar a chance de um mundo livre é o mesmo que retira livros do Vestibular da Federal de Rondônia, proíbe Darwin em escolas de São Paulo e ensina como adolescentes devem censurar aqueles que deveriam lhes servir de modelo de coragem intelectual e visão crítica.
Conquistamos a muito custo e há pouco tempo a liberdade de expressão nesta periferia do capitalismo. Reações fascistas e retrógradas como essa acenam com uma realidade de perseguição e obscurantismo medieval, e funcionam como prova de choque para os que ainda ousam pensar. Não é com ameaças ou mugidos que se combate uma idéia. É com outra idéia. Não é à base de processos e fogueiras que se estabelece um diálogo: é com a outra voz, o outro lado, o outro texto. Quem não se identificou com o cenário patético do artigo, parabéns.
Quem viu ali seu retrato falado e escrito, que rebata com artigos, criem blogs, provem o contrário, mas garantam ao outro a sua voz, a sua liberdade de golpe, o seu espaço no ringue. Não se movam como bando, covardemente empoleirados na moral e na hipocrisia. O horror deve ser enfrentado na realidade do presente, na carnadura do real. Até quando vão fazer plásticas no cadáver, maquiagem no monstro?
Sei, porque Nelson Rodrigues me ensinou, que a burrice é imortal. Mas talvez ela não seja invencível. Quem sabe possamos, com o martelo da ironia e as facas da inteligência, pelo menos arranhar sua arrogância. Sua estúpida, coletiva e tapada arrogância.
CONTATO: caixadesilencio@gmail.com


Fonte: rondonioaovivo.com