segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Quem ainda comemora o Sete de Setembro?



Sete de Setembro: Brasil independente?


Professor Nazareno*


Semana da Pátria, Sete de Setembro. Bandeirolas verde-amarelas enfeitam os pavilhões. Desfiles civis e militares pelas ruas. Pracinhas, ex-combatentes e o pessoal da ativa com os peitos estufados de medalhas deixam o reumatismo de lado e vão às ruas. Aplausos e mais aplausos. As Forças Armadas fazendo a única coisa que sabem fazer: desfilar, engraxar os sapatos e mostrar roupas de gala impecavelmente passadas. A multidão nas arquibancadas delirando de orgulho e ufanismo. Mais um espetáculo circense enchendo os olhos dos incautos, da mundiça ignara, dos abestados de plantão. É a “independência do circo” triunfando sobre a mesmice dos palhaços, a massa.

Se metade dos brasileiros, estes que vão aos desfiles da Semana da Pátria, conhecessem a verdadeira história deste país, ficariam envergonhados em comemorar tal data. Se conseguissem perceber que grande parte das autoridades que recebem aplausos e ovações desse povão são as mesmas que lhes negam os mais elementares direitos, a história deste país certamente seria outra e escrita de modo bem diferente e entendida de modo igualmente diferente. São estas mesmas autoridades que representam este Estado voraz que nos engabela quase 40 por cento em impostos. Como um povo pode tão bovinamente aceitar tudo isto sem a nada reagir? Simples: falta-lhe a consciência crítica e política.

O desfile de Sete de Setembro é um espetáculo triste, patético, medonho, deprimente e acima de tudo falso e alienante. As polícias mostram as armas de última geração com que depois vão bater nesta mesma platéia (aplausos). Como um morador da Vila de Extrema em Rondônia pode aplaudir o pelotão da Polícia Rodoviária Federal, por exemplo? Por que Ivo Cassol e Roberto Sobrinho têm que receber aplausos em vez de estrondosas vaias? Até o Presidente Lula com toda a sua comitiva e ao lado de Fernando Collor enfeitam os desfiles pátrios em Brasília. Não é mau gosto, é estupidez mesmo, cinismo, para não falar outros adjetivos mais depreciativos.

Este país nunca foi independente, pois não pode haver independência com povo no cabresto sendo vassalo da elite, de poucos. Desde a velha e manjada farsa encenada por D. Pedro I em 1822 que a mentira vem sendo mostrada ano após ano nas ruas do Brasil. E a lógica é perfeitamente seguida: se tem espetáculo, tem público. Em vez de perder tempo passando suas roupas ou mostrando suas armas, os nossos militares deviam estar preocupados com outras coisas mais cívicas. As nossas fronteiras estão desguarnecidas faz um tempão. Os Estados Unidos estão se aproximando perigosamente da nossa Amazônia com a instalação de sete bases militares na vizinha Colômbia.

E os nossos políticos? Onde estão eles? Muitos vão aos palanques receber as palmas da platéia porque sabem que neste dia geralmente os eleitores se esquecem das mazelas do Hospital João Paulo Segundo, da gripe suína, dos escândalos da compra de votos a cem reais, das obras inacabadas da cidade de Porto Velho, da Unir, dos incontáveis escândalos no Senado, das espúrias coligações políticas com objetivos imorais, das incontáveis operações da Polícia Federal. Nos confins do Maranhão, a África brasileira, ou no Amapá, Sarney deve ter sido ovacionado pelos seus desdentados e maltrapilhos eleitores. E viva a Independência do “brasil”!


*É professor em Porto Velho. (profnazareno@hotmail.com)

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