segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ivo Cassol,King Jong I e a bomba atômica

Professor Nazareno*
Se o Estado de Rondônia fosse um país soberano teria, de acordo com o seu PIB, uma classificação muito modesta em relação às outras nações do mundo. Dentre os 180 países pesquisados, nós ficaríamos na incômoda 152ª posição. Mais ou menos junto ao Haiti, Burkina Fasso (país miserável da África sub-saariana) e Papua Nova Guiné, (República de economia desprezível da Ásia/Oceania) países que dispensam maiores comentários. Isso mesmo. Com um Produto Interno Bruto um pouco inferior a cinco bilhões de dólares, representamos dentro da federação apenas meio por cento dos recursos nacionais. Uma posição pífia e pra lá de ridícula. Seríamos apenas os campeões em devastação ambiental, desrespeitos à natureza e em bizarrices na área política.
Se na economia os números de Rondônia são desastrosos, na política também não há notícias animadoras. O nosso “presidente” seria Ivo Narciso Cassol, um pseudo-estadista que está enfrentando sérios problemas internos. Existem relatos de que o mandatário maior do fictício país tropeça na própria língua oficial da nação. Há acusações de ter sido reeleito por ter comprado votos a cem reais (apenas 50 dólares norte-americanos). Fatos que podem tirá-lo do poder. Neste caso, assumiria os destinos do país o todo-poderoso Neodi Carlos, presidente do Legislativo nacional. O nosso Congresso Nacional seria a Assembléia Legislativa do Estado (pasmem). Qualquer semelhança com o legislativo dos países acima citados seria mera coincidência.
Para se ter um país soberano, deveria haver também a questão relacionada à segurança interna. Temos uma Base Aérea e meia dúzia de aviões (na verdade “teco-tecos” enferrujados e sobras da Segunda Guerra) para nos defender. Faríamos fronteira com a Bolívia e o Brasil, a décima economia do planeta. Deste, por razões óbvias, jamais sofreríamos qualquer ataque. O perigo estaria nos ‘hermanos’ do outro lado do rio Guaporé. A nossa infantaria teria condições de repelir um ataque dos bolivianos? Talvez sim, pois já demonstramos “nossa bravura” ao invadir um terreno destinado à construção de um teatro em pleno centro da capital do país. À marinha, caberia a difícil tarefa de explicar por que os barcos de passageiros do rio Madeira partem vazios e chegam cheios de gente aos seus destinos...
País soberano, imprensa livre. É o que reza qualquer manual. Mas grande parte da imprensa de Rondônia é composta de jornalistas sem formação acadêmica e a serviço de algum político de plantão. Existe o site que "representa" a Prefeitura Municipal, o site da Assembléia Legislativa, o site deste ou daquele político e assim por diante. Aqui seria um dos únicos países do mundo cuja imprensa teria cor: seria marrom. Esta deprimente postura se verifica também, de um modo geral, nos jornais impressos, nas rádios e na televisão. São os formadores de opinião a serviço do nada e da burrice. É a cafajestada formando cafajestes. Triste destino de um país fadado à ditadura dos pasquins e da ‘gambiarra’ oficializada dentro das redações.
Entretanto, como país soberano, Rondônia não teria a bomba atômica, exemplo às avessas da Coréia do Norte e do seu ditador King Jong Il. Rondônia, dentro da realidade do país, seria a bomba atômica. Com um governador ameaçado de perder o mandato a qualquer momento, uma imprensa amordaçada por questões econômicas, um Legislativo inoperante, forças armadas adormecidas, problemas ambientais em todas as frentes e uma população sem nenhuma identidade cultural, este fictício país estaria fadado ao desaparecimento. Não seríamos uma reles republiqueta de bananas ou um dos incontáveis países miseráveis dos continentes africano e asiático, mas uma nação sem nenhum prestígio dentro do contexto do mundo globalizado. Seríamos, na verdade, um nada ou a segunda pessoa do “quase nada”.

* É professor na escola João Bento da Costa em Porto Velho

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