quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cultura X Educação – Por Sérgio Ramos

Quinta-Feira , 05 de Novembro de 2009 - 16:40


Acompanhei de perto a pendenga entre o Professor Nazareno e o colunista cultural Zé Katraca (Sílvio Santos). Até publiquei no meu blog (www.sergioramos.com.br). Deixando de lado os egos, vale à pena fazer uma reflexão sobre o que realmente poderia interessar nesse bate-boca.

Cultura e educação deveriam andar juntas, a exemplo das escolas americanas onde a música é disciplina é obrigatória. A aprender música, para os americanos, é desenvolver raciocínio lógico, cujo resultados nós já conhecemos: pessoas desenvolvidas, são a base para um países desenvolvidos.

O bate boca entre o professor e o colunista cultural retrata bem a nossa condição de terceiro mundo, e de país num processo de desenvolvimento infinito. Tenho a impressão de permaneceremos assim. Creio eu, que criaremos o quarto mundo.

No Brasil, é complicado considerar algum debate de alto nível, quando as autoridades se utilizam de um linguajar rasteiro para se fazer entender. E passa a ser referência. Se isso não bastasse, as letras das nossas músicas seguem o mesmo caminho. Resultado: solidificação de uma cultura onde as pessoas se utilizam da pior parte do nosso idioma, em nome de popularidade.

Dito isso, creio que o nível da discussão procede. Tanto que surtiu efeito. Tenho minhas dúvidas de que se os textos fossem escritos de forma adequada, ou seja, sem essa popularidade toda, se isso estivesse acontecendo. Esse espanto é pura hipocrisia. Enfrentamos um paradoxo: estamos acostumados a ouvir e ler sobre assuntos sérios de forma banalizada. Duvida? Acompanhe qualquer um dos 4 programas (alguns ainda repetem) policiais que passam no horário de 12h00 às 14h00 horas.
Quanto a questão do símbolo, querer comparar Nova Iorque e a sua Estátua da Liberdade, Paris e sua Torre Eiffel, Rio de Janeiro e o seu Cristo, etc., com Porto Velho e suas Três Caixas D’água, não faz sentido, considerando a história singular de cada umas dessas cidades. Creio que o professor realmente quis brincar com os sentimentos dos portovelhenses, e conseguiu, pois me recuso a acreditar no contrário, tendo em vista a sua condição de PROFESSOR.

Cultura é permeada por símbolos. Somos uma sociedade que precisa de referências. E quando se trata de cultura, não existe melhor ou pior, uma vez que, para as pessoas que acreditam em determinados símbolos, é o suficiente, pois nisso, está baseado a sua forma de vida e até auto-estima. Daí, a revolta de alguns portovelhenses, pois o professor mexeu com algo sagrado, mexeu com um símbolo, que para muitos, principalmente para os mais antigos, é realmente sagrado. Viveram a história. Sabem o que representa, no caso, as Três Caixas D’Água. Não é justo desmoralizar um símbolo que representa tanto para o município. As Três Caixas D’água, é sustentada pela incrível história da Madeira-Mamoré. Merece respeito.

Em função da imensa imigração, Porto Velho se tornou uma cidade que tem um terço de sua população nascida aqui, o que pode explicar o descaso com a história. Talvez seja o caso o professor, que é paraibano. Porém, sou maranhense, e não tenho coragem de agredir o símbolo da cidade que me acolheu.
Um símbolo é a crença de um povo. Alguém deu a idéia, outros a tornaram lei, mas se não fosse a aceitação do povo, não seria um símbolo. É o caso das Três Caixas D’Água. A população a reconhece como tal. O poder municipal reconhece como tal.
Agora vejam isso: na Isto É, de 28 OUT/2009, Nossa Senhora foi desenhada na visão dos gays, e não vi nenhuma crítica ferrenha contra isso, considerando, claro, que o Brasil é um país católico, e alguém duvida que a imagem de Nossa Senhora não é um símbolo sagrado? É um direito deles. Não vi nenhuma defesa com relação as charges feitas sobre o Cristo Redentor ou o Congresso Nacional. É o tal do direito de expressão. É assim que somos. O que me deixa intrigado é essa profusão de opiniões sobre o assunto das Três Caixas D’Água, que na minha opinião não passa de uma brincadeira. De mal gosto é claro. Creio que o professor tem mais a contribuir. Porto Velho agradeceria, Rondônia agradeceria e o Brasil agradeceria.

O professor reclamou das palavras do colunista cultural. Olho por olho, dente por dente. Semeou colheu. Se quisesse respeito, teria respeitado. Mas quanto sugestão de “censura” professor, lembrem-se do repórter americano, que escreveu sobre os hábito do “mito”. Quase que foi expulso. Houve contras e simpatizantes com a idéia. Lembrem-se do impedimento de um jornal paulista de publicar informações sobre um certo “ícone” da política nacional. É assim. Estamos adquirindo novamente a cultura de censura. Contra essa tendência não se fala nada. É normal que seja adotada em menor escala. E estamos em plena democracia. É tanta democracia que os poderes não tem mais tanto poder assim. Respeito? Viva a liberdade. Mas, que liberdade?

Uma coisa tenho que admitir, serviu para evidenciar que Porto Velho é uma cidade que também tem seus símbolos. Que Porto Velho tem liberdade de expressão. Que Porto Velho tem pessoas críticas. Isso é um bom sinal.

O ruim, é que para tudo isso aparecer é preciso falar de coisas importantes na linguagem das letras, de gosto duvidoso, do forró, hap, funk, e os outros ritmos, que, incompreensivelmente, até gostamos. Devo, portanto, respeitar quem gosta dessas letras. Afinal, o país permite a proliferação dessa, vamos dizer assim, forma de expressão.
Porém, essa permissividade, contribui para que, somente xingando com palavrões, comparações desastrosas, as pessoas se sintam provocadas. Poderíamos melhorar o nível. Mas isso depende de educação. Mas da forma como o professor se expressa, Porto Velho corre o risco de perder suas referências, pelo menos para os seus alunos. Afinal, a escola é onde os moradores de uma cidade conhecem a cidade, através da sua cultura, geografia, política, economia, etc.

Se todos os professores agirem como esse, aí sim, Porto Velho, na próxima geração, realmente será uma cidade sem símbolo.


Saiba mais sobre símbolo.
Símbolo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O termo símbolo, com origem no grego (sýmbolon), designa um elemento representativo que está (realidade visível) em lugar de algo (realidade invisível) que tanto pode ser um objecto como um conceito ou idéia, determinada quantidade ou qualidade. O "símbolo" é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo quotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que são reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural, etc.).Ele intensifica a relação com o transcendente.

Também pode ser uma palavra ou imagem que designa outro objecto ou qualidade por ter com estes uma relação de semelhança.
A representação específica para cada símbolo pode surgir como resultado de um processo natural ou pode ser convencionada de modo a que o receptor (uma pessoa ou grupo específico de pessoas) consiga fazer a interpretação do seu significado implícito e atribuir-lhe determinada conotação. Pode também estar mais ou menos relacionada fisicamente com o objecto ou idéia que representa, podendo não só ter uma representação gráfica ou tridimensional como também sonora ou mesmo gestual.

A semiótica é a disciplina que se ocupa do estudo dos símbolos, do seu processo e sistema em geral. Outras disciplinas especificam metodologias de estudo consoante a área, como a semântica, que se ocupa do simbolismo na linguagem, ou seja, das palavras, ou a psicanálise, que, entre outros, se debruça sobre a interpretação do simbolismo nos sonhos.

Fonte: Sérgio Ramos (www.sergioramos.com.br)

Resposta do professor Nazareno ao texto do Zé Katraca:

“Quando se ouve um homem falar de seu amor por seu país, podem saber que ele espera ser pago por isto”. H. L. Mencken, jornalista norte-americano.

O senhor em sua coluna tenta atingir a minha dignidade, avança contra a minha pessoa com palavras de baixo calão e propõe apenas o que a Ditadura Militar e os fascistas tanto faziam: a censura e o meu silenciamento. Pede o meu afastamento desta cidade. Incita a população deste lugar contra mim por conta de um artigo que escrevi. Mas devia ter aprendido na Faculdade de Jornalismo, que o senhor deve ter feito, que todos temos o direito à Liberdade de Expressão. É, aliás, um direito constitucional. Pede ao Conselho de Educação que veja o meu posicionamento para me punir e solicita à Secretaria de Educação que me demita. Por quê? É porque não posso ter opinião? É porque não posso pensar? Respeito o seu ponto de vista, embora o senhor não queira aceitar o meu. Os bons rondonienses não deviam aceitar a carapuça que lhes jogo diariamente através de meus textos bobos. Por que o senhor não distribui tochas e capuzes para as pessoas me queimarem vivo numa fogueira? Pode ser uma fogueira acesa em praça pública mesmo, com espetáculo ao ar livre. Que tal na Praça das Caixas D’água?

O senhor pede ao sites e a toda a mídia de Rondônia que não publiquem os meus artigos. Pede simplesmente que me censurem. Não precisa senhor, em tempos de internet é uma burrice sem tamanho querer a censura, é anticonstitucional até. Tenho um Blog onde publico o que quero: http://blogdotionaza.blogspot.com/ Por que o senhor não o acessa? Crie também um blog e defenda o que o senhor quiser. Nunca implorei a ninguém para ler o que escrevo. Lêem porque querem. Apenas escrevo, pois sou professor de produção de textos. O senhor está agindo da mesma maneira que o psicólogo/radialista chamado Luís Augusto Guimarães, da Rádio Caiari, que também está me propondo a mesma coisa. Será que os jornalistas aqui de Rondônia são todos assim? Desconhecem a liberdade de expressão ou não são formados em boas faculdades de jornalismo?

Por que será que o senhor quer medir forças com quem não as tem? Por que se dirige a um humilde professor? Por que não importunou a jornalista Eliane Brum da Revista Época quando ela esteve em março passado aqui e “detonou” a sua amada Porto Velho? Teve medo da Rede Globo? Por que não se mete com Diogo Mainardi da Revista Veja ou com Arnaldo Jabor da mesma Rede Globo quando eles atacam o seu “brasilzinho” de nada? Se me expulsarem daqui como o senhor e os seus asseclas querem ainda assim nada vai mudar, pois somos muito acomodados enquanto cidadãos. Por que não atacou o Roberto Sobrinho quando ele doou ao Governo Federal duas das mais importantes avenidas de Porto Velho? Por que não atacou o DNIT quando ele isolou bairros inteiros da cidade com a desastrada duplicação da BR – 364 que matou um operário? A nossa cidade é um lixo sim, não sou cego. E digo isto por que moro aqui há 30 anos vindo da Vila de Calama (onde vou morar quando me aposentar) no baixo Madeira e onde trabalhei durante 05 anos alfabetizando muitos dos futuros cidadãos desta terra. Conhece? Não falo mal nem bem da Paraíba porque não vivo lá. Aquilo ali não me interessa. Nunca me interessou. A minha realidade é Rondônia queira o senhor ou não. Meus filhos e minha esposa são rondonienses, neta e bisnetos de Parintintins da margem direita do Madeira.

O senhor talvez não tenha percebido, pois acho que seria pedir demais, mas a minha produção textual se dirige contra o estupro do rio Madeira, contra os incêndios das nossas florestas. Contra os que disseram SIM a todo este desmando. Ou o senhor acha bonito “aquele espetáculo” que estão fazendo com o rio ali no Santo Antônio? E em Jirau? Já percebeu que as águas do Madeira entre Porto Velho e a sua São Carlos estão paradas no verão? O senhor, a exemplo de muitos outros rondonienses, se vendeu barato demais ao capitalismo e por isso investe contra os que querem denunciar todo este abuso. São muito piores do que a índia caiapó TUYRA do Xingu que não deixou (ainda) construírem barragens por lá. Sou favorável ao progresso sim, mas com ética, distribuição de renda e aumento do IDH. Por que em vez de monumentos suntuosos e absurdos não se criam com todo este dinheiro, universidades estaduais ou municipais? Por que não se criam centros de pesquisa afinados com a demanda do nosso mercado de trabalho? Por que, enfim, não se administra melhor esta cidade e este Estado? O senhor sabe o que é isso? As explosões nas hidrelétricas lhe apetecem? Dão-lhe prazer? A mortandade de peixes e o desaparecimento da Cachoeira do Teotônio lhe alegram?

Várias vezes o senhor me ameaça de morte em seu texto. E por isso quero tornar público às autoridades constituídas deste Estado e a todos os que interessar, que se algo acontecer a minha integridade física ou a de qualquer um de meus familiares, o responsável será o senhor. Sou professor um pouco conhecido nesta cidade. Trabalho numa escola da Rede Particular que há 05 anos é considerada pelo ENEM como a melhor escola do Estado. Leciono também na Escola João Bento da Costa que dispensa quaisquer comentários. O que o senhor já fez pelos alunos do JBC? Ensino todos eles a serem críticos, sim. Eles ganham até prêmios por isso. O senhor gostaria que eu lhes ensinasse a imitar fantoches desgastados do Sul maravilha? Quer que eu lhes ensine também a encher os botecos porto-velhenses aos domingos para torcer pelos times de futebol de fora? Sei que o senhor já deve ter feito muita coisa pelos seus pares, mas eu também já fiz e ainda faço. Procure se inteirar do meu trabalho antes de me atirar às feras, antes de me queimar vivo. Sou funcionário público federal e além de professor sou também jornalista formado em uma faculdade, por isso escrevo. Vá a Brasília me denunciar ao Lula e aos Ministérios. Tente criar uma espécie de CPI contra mim. Faça denúncias na Justiça de Rondônia contra mim e os meus textos. Processe-me, senhor! Mas saiba que eu nunca vendi nem comprei votos, nunca fui filmado tentando levar dinheiro de nenhum Governo, nunca protagonizei nenhum escândalo que manchasse o nome de Rondônia e que eu amo este Estado e esta cidade e por isso sonho em mudá-los um dia. Fazendo textos, claro, que é o que eu sei e gosto de fazer.


Professor José do Nazareno Silva

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Acender velas e almoçar no "Tonhão"


Dia de Finados


Professor Nazareno*


O dia 02 de novembro é o dedicado aos mortos. Os outros dias do ano devem ser dedicados aos vivos. Como de costume fui ao “Cemitério dos Pobres” acender velas para os mortos que não tenho aqui. Porto Velho tem 04 cemitérios: o de Santo Antônio, conhecido pela alcunha de “Tonhão”, o dos Inocentes no centro da cidade, e dois outros bem mais suntuosos e requintados: um na entrada leste da nossa capital, o Jardim da Saudade e outro na saída sul bem em frente à Universidade Federal de Rondônia, a Unir.

Enterrar e depois acender velas para os seus mortos é uma tradição milenar entre os cristãos. Outros povos e religiões costumam queimar ou cremar os seus mortos e guardar as cinzas como lembrança. Este costume não daria certo entre os cristãos, pois conheço gente que depois de queimada não daria uma única colher de cinzas. Mal terminaria o ritual e um simples vento faria desaparecer o sujeito no ar. Deve ser por isso que a tradição de enterrar os mortos é ensinada de geração a geração entre nós.

Vi de tudo lá pelas bandas do “Tonhão”. Resolvi comer uma bela e suculenta feijoada que estavam vendendo nas proximidades das tumbas. Havia também moqueca de peixe, sucos, guaranás, cervejas e toda a sorte de iguarias. Um comércio de compra e venda que os cristãos católicos permitem. Tudo era alegria, felicidade, festa, risos e para falar a verdade não vi ninguém chorando pelos seus mortos. Fiquei impressionado com algumas luxuosas tumbas e percebi que o capitalismo rompeu a barreira da morte também.

Porém o mais impressionante foi observar que o consórcio que está construindo a Hidrelétrica de Santo Antônio colocou avisos para o público informando que o Cemitério não será alagado quando a barragem estiver pronta. Pode até não ser alagado, mas a proximidade com tanto volume de água fará certamente aquele “canto santo” sofrer as conseqüências como assoreamento e talvez até inundação das covas mais profundas. É o capitalismo de novo agindo só que agora profanando, com nossa permissão, os nossos lugares sagrados.

De todos os mortos daquele lugar, no entanto, o que mais nos causa dor e tristeza é o rio Madeira. Dilacerado em suas entranhas, sangrando até a morte, agonizando ante o espetáculo doentio do bicho homem, o outrora rio das Madeiras é o morto mais famoso dali e deveria ter recebido velas e procissões neste Dia de Finados. Está agonizando e suas águas já estão paradas entre Porto Velho e o distrito de São Carlos. Talvez seja por isso que a morte do nosso maior símbolo tenha sido tramada num lugar tão pouco comum: um cemitério.


*É professor em Porto Velho


O Brasil e sua democracia de proveta!


Democracia às avessas na Universidade do Taliban


Professor Nazareno*


Em 1985 com a eleição indireta de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral, a Ditadura Militar brasileira chegou oficialmente ao fim. Eram novos tempos aqueles. O mundo respirava ares de final de Guerra Fria. O muro de Berlim cairia pouco tempo depois, a União Soviética com o seu socialismo chegaria ao fim e as liberdades democráticas e de expressão passariam a ser coisas corriqueiras em quase todas as sociedades do mundo. No Brasil, três anos mais tarde, a nossa sociedade ganharia uma nova Constituição. Depois das Diretas Já e da Constituinte ganharíamos enfim a tão sonhada liberdade. Viveríamos num mundo de coelhinhos saltitantes e borboletas azuis.

Engano. Tudo parece que era de mentirinha. Mudaram-se muitas das opiniões políticas, é verdade. Os militares voltaram para os quartéis, o mundo e o meio ambiente ganharam novos defensores e as palavras de ordem agora eram liberdade e democracia. Só que grande parte da opinião pública que apoiara os regimes ditatoriais ficou escondida como o gato que espera a hora certa de dar o bote. E de vez em quando ela “coloca as suas mangas de fora”. Ataca em bandos como vespas assassinas, tenta impor a sua moral a todo custo e vibra com “a fumaça que emana dos campos de extermínio”. São os neonazistas a serviço da estupidez e do obscurantismo.

Recentemente esta moral torta e falsa veio à tona em São Paulo na Universidade Bandeirantes (Uniban – Taliban) quando uma jovem foi execrada publicamente por se vestir, segundo os preceitos morais dos seus algozes, de maneira inapropriada. “Esta sociedade de Taliban em que se vive hoje no Brasil impede não apenas nosso olhar, mas nossa voz. É um fundamentalismo de terceira que parece querer engolfar a chance de um mundo livre”, escreveu o professor Carlos Moreira em um artigo. Essa opinião pública fajuta avança contra roupas curtas, artigos, livros, publicações e tudo o que signifique liberdade de expressão.

Confesso que às vezes tenho medo de escrever artigos no meu Blog. Algumas reações fascistas me dão o receio de ser atacado em praça pública, de ser queimado vivo nas fogueiras da hipocrisia. E esta talvez seja a pior doença do mundo moderno: a hipocrisia. Uma sociedade que fala mal da Ditadura Militar, mas que a apoiou. Um povo que precisa de falsos líderes e os enaltece publicamente. Essa mesma opinião pública é muito perigosa, pois se houver uma reviravolta na nossa política ela será a primeira a dar apoio e condenar “os infiéis” à fogueira medieval da inquisição, pois se dizem cristãos, mas apenas agem como os muçulmanos fundamentalistas Talebans do Afeganistão.


*Leciona em Porto Velho


domingo, 1 de novembro de 2009

DEMITAM PROFESSORES RUINS

*Valdeci Ribeiro

Eu que sempre achei que todo problema da baixa qualidade da educação estava no aluno, sua falta de interesse, porque os conhecimentos não atingiam seu fim último, ou seja, “batiam fofo”, fui obrigado admitir que devia ser assim mesmo, que a frase: "Só ensina quem aprende” era uma frustrada expectativa.


Mas como pode um professor pensar assim? Por que ele propõe uma medida tão dura assim? Será que o fato de ver o quanto o professor é ruim põe fim nos problemas da educação?
Refletindo um pouco mais, pensei em alguns critérios, baseando-me na necessidade do dia a dia, tentando me avaliar se sou um desses ruins. Câncer da educação!!


Alguns professores não tem um curso de licenciatura na área em que estão atuando e não a dominam? São quebra galhos!!! Outros de áreas afins: informática, administradores, etc.
Vivem separado da leitura, apenas leêm o livro adotado para dar uma aulinha, e ainda se acham sábios?
Buscam tirar proveito em tudo, e cada um cuide de si mesmo?
Enrolam suas aulas com frivolidade, fingindo ser amigo demais de alunos e falando da vida pessoal e segredos fúteis o tempo todo, provocando pena e garantindo elogios no conselho de classe...
Ensinando palavras cruzadas para os alunos, utilizando jornais, dando brecha para a escola os criticar de malandro...
O que ocupa seu cérebro, a boca fala: tolices, banalidades, imagens ilusórias da vida?


Quem sabe ensinar para vida?
Concluí que muitos se parecem... muito com muitos!


Não merecen o salário que ganham!!!O ideal seria que se aumente o salário só dos bons professores. Só sei que o compromisso profissional deve ser condizente com a realidade. Senão a educação pagará um excessivo preço para se livrar do maus professores.


Pelo que estão as autoridades esperando? E nós professores pelo que estamos esperando?


Demita-se!!!! Pare de reclamar que ganha mal!!!!!




*Leciona Sociologia na Escola João Bento da Costa

sábado, 31 de outubro de 2009

O símbolo de Porto Velho


Porto Velho: uma cidade sem símbolo


Professor Nazareno*


Quase todas as cidades do mundo têm um símbolo que as identifica. Um acidente geográfico ou mesmo uma grande construção é comum aparecer nos guias turísticos como marca registrada do lugar. Apesar dos constantes tiroteios em suas favelas, o Rio de Janeiro tem o Pão de Açúcar ou mesmo a Estátua do Cristo Redentor. Nova Iorque tinha o World Trade Center e agora a Estátua da Liberdade é o seu símbolo maior. Paris tem a famosa Torre Eiffel. Roma tem o Coliseu e Salvador, na Bahia, tem o Elevador Lacerda e a paradisíaca Ilha de Itaparica. É raro não perceber e imediatamente associar a geografia ou a sagacidade do homem ao seu lugar de origem.

Porto Velho não tem símbolo nenhum. Dizem que As Três Caixas D’água também chamadas de “As Três Marias” simbolizam a nossa cidade. Se assim for, não existe tamanho mau gosto em outro lugar. Construídas juntamente com a Estrada de Ferro Madeira Mamoré é um monumento de aparência lúgubre, vulgar e que sugere apenas a lembrança do capitalismo selvagem em nossas terras. Vistas de longe parecem querer imitar o órgão sexual masculino de três jumentos emparelhados. De aparência medonha, estaria assim mais para simbolizar qualquer cidadezinha lá dos cafundós do Nordeste do que para uma capital que se orgulha de ser “a cidade das hidrelétricas”.

Porém muitos rondonienses lhe dão importância. Recentemente, um hotel de padrão internacional quase teve a sua construção embargada por causa do monumento. “Encobriria a sua beleza e visão”, afirmou o Iphan como se alguém de bom senso quisesse ver aquilo. Sendo assim, bastaria mandar implodir o Palácio Presidente Vargas que se localiza bem a sua frente. Afinal, para que serve um Palácio que tem nome de um dos maiores ditadores da nossa História e que já foi apelidado de casinha da Barbie? Nenhum governador sentiria tanta falta assim. Poderíamos também mandar implodir a Reitoria da Unir já que esta universidade nunca serviu para nada mesmo. Se a Unir não existisse que falta faria aos porto-velhenses?

Infelizmente Porto Velho não tem símbolo nem História. Alguns saudosistas alegam que a nova administração municipal estaria destruindo todo o acervo histórico-cultural da capital. Um exagero, pois o lendário rio Madeira e a imponente floresta Amazônica que realmente nos simbolizam estão sendo destruídos de forma covarde e ambiciosa sem que ninguém dê um pio. Desde quando lugares onde se bebia pinga e se praticava a boemia podem ser considerados como de importância histórica? Esta cidade não pode mais viver do passado uma vez que já temos Parada do Orgulho Gay, Carnaval fora de época, ponte sobre o Madeira, viadutos, passarelas, mortes no trânsito, violência na periferia, pedintes na rua e até shopping center.

Qualquer destas construções poderia muito bem simbolizar a cidade. A ponte no Madeira, por exemplo, existe coisa mais absurda? Os rondonienses querem fazer ponte sem ter a estrada. Um monumento que servirá apenas para melhorar a vida de meia dúzia de capiaus e matutos que plantam mandioca no Projeto Joana Darc. Ou então servirá para tirar a “metrópole humaitaense” do isolamento. Serão muitos milhões de reais jogados fora. Coisa de gente da roça mesmo. Por isso uma estátua do Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato, deveria ser erguida para simbolizar a capital já que a melhor definição para Porto Velho é: 400 mil matutos num canto só.


*Leciona em Porto Velho.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ser jovem é difícil...


Ser jovem: esperanças no futuro ou problemas?


Professor Nazareno*


Existe um ditado popular afirmando que os jovens são o futuro do país. Quando perguntaram a Nelson Rodrigues que conselho daria aos jovens, ele não pensou duas vezes: “envelheçam rapidamente”. Afinal, o que tem a dizer um jovem de 17 ou 18 anos? “Nada. São os velhos que detém a sabedoria e que podem assumir a liderança. De Gaulle era velho. Mao era velho. Chiang era velho”. Todos os grandes cientistas e pensadores que mudaram ou influenciaram a história da humanidade eram velhos. Os jovens não servem para muita coisa hoje em dia neste mundo globalizado e consumista.

Em quase todos os eventos, lá estão eles, os jovens, tentando mudar de aparência como se o Criador não tivesse acertado a receita ao fazê-los. Se tiverem cabelos encaracolados, alisam. Se tiverem cabelos lisos, encaracolam. Loiros e loiras viram morenos e morenas e vice-versa. Dão mais importância a uma simples festa do que aos estudos. O jovem de hoje quase sempre é gordo. Dizer que estes cidadãos são o futuro do país é pura bobagem e idiotice. E talvez seja por isso mesmo que eles mudam, pois que país teria futuro com governantes aloprados e desinformados?

O maior problema é que a cada ano que passa a alienação bate forte nesta faixa etária da sociedade. Diferentes dos jovens das barricadas de Paris em 1968, dos que lutaram pelo fim da Ditadura Militar no Brasil, ou dos jovens da Praça da Paz Celestial em Pequim e mesmo daqueles que se encantaram e cantaram com grupos musicais de verdade, a maioria dos jovens de hoje está dentro de shoppings centers, não participam da política, odeiam a leitura, ficam pendurados a celulares ou computadores de mão e oficializam a prostituição substituindo “o namorar pelo ficar”. Verdadeiros idiotas.

Além do mais, muitos dos jovens atuais não sabem escrever um bom texto e desconhecem completamente alguns aspectos da História do Brasil e do Mundo. São capazes de afirmar, por exemplo, que foi Drummond (Carlos Drummond de Andrade) e não Dumont (Santos Dumont) que inventou o avião. Apesar da semelhança entre os nomes em questão, só um jovem mesmo para confundir a biografia destes dois grandes brasileiros. Um jovem atual consegue afirmar que a Segunda Guerra Mundial teve como causa principal a rivalidade econômica entre a URSS e a União Européia. Isto é hilário.

O jovem precisa de lazer, descanso e também de responsabilidades com o futuro. Não necessita encarar o mundo de maneira muito séria agora, mas deve entender que ninguém será eternamente jovem. O mundo está aí para crianças, jovens, adultos e velhos, para todos se divertirem. Mas é somente nesta fase da vida que se pode poupar energias para uma vida melhor no futuro. Evitar os vícios, a religião, as drogas (religião é droga), as intrigas e começar a investir na leitura, na boa música, no lazer e principalmente na grande capacidade que têm de imitar os mais velhos e copiar-lhes a experiência de vida.


*Leciona em Porto Velho.


domingo, 25 de outubro de 2009

O CRIME AGORA É EMPREGO RENTÁVEL

O CRIME AGORA É UM EMPREGO RENTÁVEL

Sá de Freitas



Hoje fiquei mais revoltado ainda com os acontecimentos neste Brasil com poucos brasileiros conscientes e muitos safados no leme.

Não adianta listar o que vem acontecendo, porque todos sabem e se alguém disser que não, é cínico ou omisso. Quando escrevo algo contra as bandalheiras que vêm ocorrendo todos os dias no cenário brasileiro, por incrível que pareça, poucos, dentre os dez mil correspondentes meus (a maioria composta por brasileiros) se manifestam. Os demais parecem pessoas indiferentes, conformadas com tudo e despidas de patriotismo, numa luta que pertence a todos em benefício de todos. Quando menciono “brasileiros”, não me refiro apenas aos que nasceram aqui, mas também a outros irmãos de várias nacionalidades que se abrigam e lutam neste solo.

Hoje a taça da minha indignação transbordou-se. Leiam:



“ VOCÊ SABIA? EU NÃO... Eu não estou acreditando... BRASIL ! ...SIL !
....SIL !
Programa Bolsa-Marginal ? Você sabia que todo presidiário com filhos tem
uma bolsa de R$ 600,00 para sustentar a família, dado pelo INSS, pois o
coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos pois está preso?
Tire a dúvida neste "site"

http://gov.br/conteudoDinamico.php?id=22


Por acaso os filhos do sujeito que foi morto pelo coitadinho
que está preso recebem uma bolsa de R$600,00 para seu sustento?
Mate e assalte... e ganhe uma Bolsa Bandido... !

E depois o Lula vem dizer que o INSS não tem dinheiro para pagar o
reajuste justo aos aposentados...!!!!
Sabe quem está financiando esta regalia da Bolsa Bandido?”( não cito o nome de quem escreveu essa nota, para preservar-lhe a privacidade)



Mas pergunto: será que alguém não sabe? Se alguém não souber quem está financiando tudo isso, então não continue lendo. Pois se ainda não se conscientizou de que o dinheiro é o seu, é o meu, é nosso, jamais vai se conscientizar da sua responsabilidade perante a defesa da Pátria, quer escrevendo, quer comentando entre os amigos as falcatruas, quer protestando de diversas maneiras ou deixando de eleger os desonestos.

De uma forma ou de outra, se aceitarmos esse salário de ajuda a quem não o merece, estaremos contribuindo para o aumento da criminalidade e até financiando-a. Quem elaborou tal projeto e os demais que o aprovaram, ou têm parentes encarcerados ou estão preparando o terreno para quando estiverem atrás das grades, pois creio em Deus que a Justiça, um dia, chegará para eles.

Com isso não quero dizer que todos os brasileiros sejam omissos. Há muitos que lutam sem tréguas contra essa situação vergonhosa . Mas precisamos pensar, repito, que essa luta não é somente de muitos e sim de todos os cidadãos honestos. Cruzar os braços e ficar assistindo ao circo pegar fogo complica, porque nas chamas estamos nós, estarão os nossos filhos e os nossos netos.

Vamos pensar e reagir antes que seja tarde. O bandido – e não adianta falar que é reeducando – porque é bandido mesmo, vive num paraíso, essa é a verdade, enquanto que o trabalhador honesto se estrebucha num verdadeiro inferno. O bandido é atendido no Hospital imediatamente: o trabalhador, não; o bandido tem, à sua disposição a hora que quiser, dentistas, psicólogos, analistas, ambulância, boa alimentação, recreações, medicamentos, etc: o trabalhador honesto, não. O bandido não precisa pagar aluguel, água, luz, cama e alimentação ( porque nós, trouxas, pagamos) e o que ele, o criminoso, ganha com esse novo projeto, é livre, sem desconto algum. Incrivelmente ainda reclamam e têm os que os defendem. Defendê-los de maltratos físicos ou de qualquer outro ato desumano ou abusivo, até eu os defendo, mas aumentar-lhes as regalias, não!!! Isso é absurdo.

Deixo para você, que está lendo essas minhas considerações, a análise desse fato, pois eu já o analisei por ter trabalhado trinta anos no Sistema Prisional e, nesse período, vi, na Unidade em que eu militava, apenas três que se recuperaram realmente, constituindo ou reassumindo suas famílias e integrando-se a trabalhos honestos. Os demais cometeram novos crimes, retornaram à Penitenciária e, descaradamente, diziam que assim procederam por ser na prisão a vida melhor que na Sociedade, pois no cárcere tinham de tudo sem necessidade de trabalho.

Se alguém quiser mais informações a respeito do que realmente é um bandido, e tenho conhecimento de causa, o meu E-mail é:

poetamorpaz@uol.com.br

Não vou me calar. Prefiro morrer lutando pelo que julgo ser a verdade, a viver assistindo essa desfaçatez imposta por colarinhos brancos, que sentados atrás de suas mesas somente possuem teorias. Por que não vão conviver com a realidade face a face, pelo menos alguns dias, como convivi, trabalhando entre eles e os analisando atentamente?

Essa " Bolsa Bandido", sem dúvida, aumentará mais a população carcerária em todo o País, pois eu mesmo se tivesse qualquer inclinação para o crime, por certo não perderia de maneira alguma esse emprego, cuja exigência para obtê-lo seria apenas a minha ficha criminal. Fácil, não é?
Acordem brasileiros e lutem antes que "OS LOBOS" terminem de estraçalhar a nós todos.
=

Obs: não deixe de consultar o Site acima citado.

Samuel Freitas de Oliveira

Avaré- SP

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alguém já viu sujeira em Porto Velho?

Sujeira em Porto Velho? Quanta injustiça!

Professor Nazareno*

No domingo, dia 18 de outubro, o Fantástico da Rede Globo acompanhou uma inspeção da Vigilância Sanitária em restaurantes de várias capitais brasileiras. Em Porto Velho, a sorteada foi uma churrascaria bastante conhecida dos consumidores da nossa cidade. Os clientes desse tradicional ponto de encontro dominical nem imaginam que frangos são descongelados dentro de um balde velho e sujo. A qualidade da carne também é duvidosa. “A carne está em um vasilhame em péssimo estado de conservação. Pela aparência, podemos dizer que a cor não está boa. É importante recolher, para segurança do consumidor”, afirmou um dos fiscais. É tanta ferrugem e falta de higiene que as duas velhas geladeiras não poderão mais ser usadas.

Esta mesma churrascaria já foi notificada pela segunda vez neste ano. Se não entrar na linha, ela pode ser fechada. Todos ficamos horrorizados. Um verdadeiro absurdo este programa relatar estas coisas. Como pode? Rondônia não merecia isto. Porto Velho é uma cidade limpa, arborizada, cheirosa, bem organizada e com quase 100% de esgotos e água tratada por isso não merecia virar manchete nacional só por causa desta besteira. Os repórteres e jornalistas desta emissora e deste programa deviam vir aqui e observar a realidade para não saírem por aí difamando a nossa querida metrópole. Por que eles não foram ao porto da cidade? Lá existe muita limpeza e higiene. É uma beleza natural e estonteante. Não existe lama nem sujeira e o local dá nome a nossa linda capital.

Essa gente poderia ter ido também à zona Sul da cidade ou à zona Leste ou a outra zona já que há muitas. Encontrariam, com absoluta certeza, ruas floridas, sem tapurus ou esgotos correndo a céu aberto. O cheiro inconfundível de perfume que exala das nossas avenidas certamente deixaria estes forasteiros tontos de tanta fragrância. Temos também o Arraial Flor do Maracujá, que em matéria de limpeza e higiene deveria ganhar uma espécie de Oscar. As comidas que são servidas por lá nem de longe se parecem com gororoba. Valas abertas e mal cheirosas é coisa rara por aqui. Os poços que abastecem os porto-velhenses de água sempre são cavados longe das fossas. Difícil encontrar algum que tenha qualquer tipo de bactéria ou mesmo imundície.

Mercado do Cai N’água, Mercado do quilômetro 01, feiras livres semanais dentre outras atrações turísticas da nossa capital são verdadeiros requintes de luxo e esmero em limpeza e boa higiene. Até o mandi, um pequeno bagre que se alimenta de fezes humanas, é odiado por estas bandas e quase não se vê a sua comercialização. A limpeza verificada em Porto Velho lembra Paris, Milão ou Viena. Quando um gato ou cachorro morre esmagado pelos carros do nosso organizado trânsito é imediatamente retirado do meio da rua, o local é dedetizado e a Prefeitura manda borrifar perfume francês para delírio dos transeuntes. Nossas escolas são todas limpas, nossos hospitais se parecem com shopping centers. Porto Velho, não. O nome da cidade deveria ser “Perfumópolis”.

Talvez o único lugar onde haja sujeira por aqui seja na política. Mas isto também é verificado no Brasil inteiro. Alem do mais, estes jornalistas desavisados poderiam ir ao “buchódromo” da cidade. Lá duvido que encontrem algum preservativo usado. Por isso seria bom que fizéssemos um abaixo-assinado para enviar à Rede Globo e exigir uma espécie de retratação da emissora. Ela foi muito injusta com Porto Velho e só por causa de uma bobagem não tinha o direito de manchar o nosso nome. Pois qualquer cidadão brasileiro ficaria encantado ao passear com a sua família pelas ruas da capital de Rondônia: sem violência, sujeira, lama, poeira ou travestis à noite as nossas vias são verdadeiras passarelas. O que mais se podia esperar de uma linda capital como a nossa?


*Leciona em Porto Velho


sábado, 17 de outubro de 2009

Vamos mesmo chegar ao tão falado progresso?


Vamos perder o bonde da História


Professor Nazareno*


Há um bom tempo que não se ouve falar de outra coisa em Rondônia: com as obras do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal, o dinheiro está “entrando a rodo” no nosso Estado. E é até possível observar na capital como o volume de obras pode ser uma demonstração da veracidade deste pensamento. Há realmente muitas construções sendo tocadas e muitas outras já projetadas: construção do CPA, Centro Político Administrativo, duplicação da BR 364, asfaltamento de algumas ruas e avenidas, construção de viadutos e passarelas, melhoria no saneamento básico de vários bairros, água encanada onde antes só havia poços, dentre outras.

Obras estas que os habitantes podem ver, se deslumbrar e acreditar que o dinheiro está sendo bem empregado pela classe política. Todo mundo fica feliz, fala em progresso e desenvolvimento, se enche de ufanismo bobo e alardeia para os quatro cantos do mundo que aqui se trabalha, que os nossos políticos são os melhores do mundo. Ledo engano: claro que toda cidade necessita de obras de infra-estrutura e como em Porto Velho falta tudo nesta área qualquer gambiarra é sempre bem-vinda. Mas será que esse dinheiro está realmente sendo bem empregado? Houve algum tipo de consulta popular para isso? Ou este dinheiro também está sendo “gasto a rodo”?

O CPA era uma necessidade, todos concordam. Mas não entendi por que os prédios, se vistos do alto, formam as letras ‘I’ e ‘C’. Erros de projetos ou simples culto à personalidade? Mas é bom, assim não haverá a necessidade de colocar nome de político oportunista na construção, pois o povo daqui não sabe nomear de forma coerente os seus monumentos. Já os viadutos parecem ser mais uma tolice de quem quer mostrar serviço. Problemas de trânsito se resolvem com abertura de mais ruas para escoamento de carros, com mais sinalização, retornos e principalmente a melhoria no sistema de transportes coletivos. Parece até que os rondonienses querem ver nomes de políticos nas obras.

Mais do que obras faraônicas, o nosso Estado precisa de educação e cultura. Precisa investir em seu futuro, precisa se precaver da ressaca que fatalmente virá com o término destas construções. Os ciclos da borracha, do ouro, da cassiterita vieram e se acabaram deixando apenas conseqüências nefastas. Devíamos ter aprendido alguma coisa. Com toda esta grana, quantas universidades estaduais ou mesmo municipais poderiam ser criadas? Poderíamos criar centros de pesquisas voltados para a demanda do mercado interno e escolas para formar mestres e doutores. Se hoje há dinheiro, devíamos sim, pensar no futuro com vários campi universitários espalhados pelo Estado.

Só que estamos seguindo o exemplo da Venezuela, que está perdendo uma excelente oportunidade de se transformar em uma grande potência regional com o dinheiro do petróleo. Já a Coréia do Sul e o Japão investiram tudo em educação e cultura e em menos de 30 anos já estavam colhendo os frutos. Rondônia e os rondonienses estão mais para a rompança latino-americana do que para a visão de mundo e a disciplina oriental. Qualquer universidade de fundo de quintal seria melhor do que a Unir. E se faltar bons profissionais, viriam os de fora para nos ajudar a não perder mais este bonde da História.


*Leciona em Porto Velho