PARABÉNS A GALERA DO JBC!!!!!!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Prof. Diogo Tobias Filho*
Felizmente, em 2009 está sendo diferente. Com o fabuloso salário, gentilmente pago pelo Sr. Ivo Cassol, um político “eternamente grato aos docentes” que lhe introduziram no seleto grupo da intelectualidade, já vivo sonhando com meu 15 de outubro todos os dias; na véspera, após a aula, reunirei a família e me hospedarei na suíte de um hotel 5 estrelas, de modo que, ao acordar, após o lauto café-da-manhã, começarei minha maratona de comemoração. Inicialmente minha família irá até uma concessionária de veículos importados para realizar um sonho antigo: comprar aquele carrão que Cassol compra aos borbotões, sobretudo porque, o incontestável poder aquisitivo do meu salário me possibilita fugir dessas biroscas motorizadas que os mais simples chamam de carro popular. No almoço pedirei cardápio especial, incluso aí, bacalhau de primeira, champagne francês, filé com nozes americanas, e de sobremesa, deliciosas ameixas européias acompanhadas de maçãs argentinas. Meus filhos certamente não se lembrarão daquela merenda escolar, cujo cardápio se constitui eternamente de sopa, feijão e arroz tipo 2, carne de 2ª, macarrão melequento enfeitado com um galhinho de coentro para enganar a galera.
À tarde, o sonho virá com o compromisso principal: a compra de notebooks, câmaras e filmadoras digitais, CDs culturais e livros atualizados, investimento que faço pensando em levar para sala de aula a mais alta tecnologia que o governo Cassol alega não ter dinheiro para oferecê-la aos alunos da rede pública. Pretendo ainda me especializar, de modo que, o décimo–terceiro salário reservarei para o mestrado no exterior, provavelmente em Harvard nos Estados Unidos, assim aprimoro meu inglês, matando dois coelhos com uma cajadada só. Tudo realizado da forma discreta para evitar a ostentação, aquela doce tentação em mostrar sinais exteriores de riqueza. Ao ocaso deste inesquecível dia, num prazeroso jantar - à luz de vela - degustaremos caviar com vinho do Porto.
Então, a atrevida realidade resolveu me aparecer. O sonho estava maravilhoso até que, num átimo de infelicidade, minha filha me deu um doloroso beliscão, simplesmente para me acordar e lembrar que no dia seguinte, ela iria à escola na periferia de Ji-Paraná e eu teria jornada de trabalho em três colégios para ganhar um pouquinho melhor e tentar viver com mais dignidade. A pequenina alertou-me: as rodas do nosso único meio de transporte estavam precisando de conserto. Graças ao último aumento de 4% (parcelado em 2008) que Ivo Cassol me concedeu, saí em disparada, comprei dois pneus novinhos em folha para colocar na minha inseparável bicicleta vermelha, modelo antigo, ano 79, velha e cansada da guerra... Que pena, o sonho acabou! De qualquer forma, feliz dia do professor, companheiros de luta!
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (E-mail: digtobfilho@hotmail.com)
Parabéns para nós, os "sofressores" que vão mudar o mundo!
A “in-FELICIDADE” de ser professor!
Professor Nazareno*
O dia 15 de outubro não deveria ser dedicado a nós professores. “É muito pouco para quem tanto fez e ainda faz pelo progresso e pelo desenvolvimento do Brasil”, devem pensar alguns incautos e desinformados. Com todo este progresso e todo este desenvolvimento que estamos vendo por aí é de se pensar o que nós, os mestres, estamos fazendo realmente por este país, periferia de capitalismo. Talvez, por isso, recentemente o MEC divulgou na mídia uma propaganda mostrando o progresso e o desenvolvimento que existem de fato em vários países do mundo: o responsável? Ora, o professor, pronunciado em vários idiomas.
No Brasil, a realidade é outra e completamente diferente. E o entrave maior não é o salário. Nunca foi. Também não é a indisciplina de alguns alunos ou a sujeira existente dentro das salas de aula. Muito menos as constantes brigas do nosso sindicato com os governantes de plantão nem as perseguições ridículas de alguns diretores de escolas. O nosso maior problema é que temos uma sociedade que não valoriza a educação. Da porta da sala de aula para fora, talvez menos de dez por cento dos brasileiros vêem na escola alguma função que se possa associar à vida cotidiana. Daí, a “bola de neve” cresce e é absorvida espertamente pelos políticos. Até os do PT.
Salário de professor no Brasil é menos do que muitas prostitutas ganham para lavar pratos. No entanto, baixo salário não é problema. Os médicos de Porto Velho, por exemplo, ganham na maioria das vezes salários astronômicos e a saúde local está um caos. É preciso observar quem de fato exerce dignamente a sua função. Quem realmente tem compromisso com a educação e o futuro deste país. Um bom professor não pode ganhar a mesma coisa que um mau professor. Por isso, é comum ouvirem-se afirmações de que há professores que ganham mal pelo muito que fazem, enquanto outros ganham muito bem pelo pouco que desempenham em sala de aula.
Nos países cujas sociedades valorizam o estudo, a educação, o que se vê é uma multiplicação de oportunidades e um franco progresso e desenvolvimento a exemplo da Coréia do Sul, Japão, Holanda, Bélgica, Finlândia, Estados Unidos, etc. O imperador japonês, por exemplo, presta reverência a qualquer professor que vá visitá-lo. Imagine-se Ivo Cassol, Lula ou Roberto Sobrinho, que é psicólogo, fazerem isto a um professor. O nosso Presidente e o Governador do Estado têm, juntos, menos anos de estudos do que um camelô ou um gari. Ainda assim, o nosso país é um dos que mais investem
Professor é azarado mesmo. São poucos os que sabem escrever um bom texto ou raciocinar de forma consciente. E quando tentam fazê-lo, quando ousam mostrar o pouco ou o quase nada que sabem, seus raros leitores já o vêem como um sujeito depressivo, infeliz, ranzinza ou pedante e põem logo em xeque a sua capacidade profissional ou tentam calá-lo ameaçando o seu diminuto salário. Muitas pessoas acreditam que professor é sempre um sujeito de boa educação, polido, paciente e que deveria escrever somente aquilo que os hipócritas gostariam de ler. Eu, por exemplo, tenho um Blog com meia dúzia de leitores: eu mesmo, minha esposa quando tem tempo, minha filha quando eu a obrigo, e mais duas ou três pessoas.
Apesar de tudo, ser professor é ser feliz, é saber que na sociedade se exerce a função de cabeça, a função de conduzir os outros. “Quem faz aquilo de que gosta não precisa trabalhar”. Mas a educação e o professor ainda vão custar muito a alcançar valor neste país de “jecas”, nesta nação de pouca visão educacional, neste submundo dominado pelo maniqueísmo e pela astúcia de poucos. Haverá um dia em que greve de professores será por melhorias no sistema de educação e não pela insana vontade de ganhar tanto quanto ganham as empregadas domésticas, os garis, os cobradores de ônibus e outras categorias tão importantes para a sociedade, mas que não precisaram defender nenhuma tese de mestrado ou doutorado.
*É professor
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
O quê há de errado com "rondonha"?
Rondônia, capital Seul
Professor Nazareno*
Rondônia é um dos 26 estados do Brasil, isto poucos brasileiros sabem. A Coréia do Sul é um país da Ásia e junto com a Coréia do Norte formam a península coreana, próxima à China. Rondônia tem 245 mil quilômetros quadrados de área e uma população de apenas um milhão e meio de habitantes. O país asiático tem uma área de pouco mais de cem mil quilômetros quadrados, portanto menos de metade do Estado de Rondônia e uma população superior a 52 milhões de indivíduos, ou seja, mais de 30 vezes o número de habitantes daqui. Os sul-coreanos pertencem ao mundo civilizado e têm um IDH muito elevado. Rondônia é a quinta ou a sexta periferia do capitalismo.
O rio Han, de águas cristalinas, corta a imponente capital coreana. O rio Madeira, de águas barrentas e cheio de lixo boiando em sua superfície, margeia a capital dos rondonienses. O Estado brasileiro se situa entre dois grandes biomas conhecidos mundialmente: a floresta Amazônica e o Cerrado e, além disso, tem excesso de recursos minerais e está localizado dentro da maior bacia hidrográfica do mundo. Os coreanos têm uma natureza madrasta e não podem se orgulhar de quase nada em termos de abundância natural. Na década de 50 o então Território Federal do Guaporé vivia a euforia da Marcha para o Oeste. Já os sul-coreanos viviam o horror da guerra com mais de 3 milhões de mortos.
Sansung, Ásia Motors, Kia Motors, LG, Hyundai, Dae-woo, são marcas sul-coreanas conhecidas e consumidas no mundo inteiro. Os eletrodomésticos fabricados naquele país da Ásia são referências em qualquer parte do planeta. Aqui se produz apenas um refrigerante de nome impronunciável cujo alcance de consumo mal consegue chegar à divisa. Ban Ki-moon, político nascido na Coréia do Sul, é o todo poderoso Secretário Geral da ONU, a Organização das Nações Unidas. Em Rondônia, como exemplos de políticos, temos apenas Ivo Cassol, Expedito Junior, Fátima Cleide e Roberto Sobrinho.
Kim Dae-jung foi um ex-presidente que no ano 2000 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Por aqui ninguém nunca ganhou prêmio de nada. Ninguém daqui jamais foi indicado para absolutamente nada. Os maiores prêmios por estas bandas aparecem somente nas pífias exposições agropecuárias. Uma tal de Bailarina da Praça é o símbolo maior do lugar. As maiores expressões locais são pessoas geralmente oriundas de outros estados da federação. O Marechal Rondon era mato-grossense, Jorge Teixeira era gaúcho, Aluízio Ferreira era carioca e o Major Fernando José Guapindaia era natural do Estado do Maranhão, embora tenha vivido muito tempo no Amazonas.
Rondônia e Coréia do Sul têm estas enormes diferenças por que esta investiu maciçamente em educação enquanto aquele insistiu em copiar tudo que deu errado no Brasil. Levando-se em consideração a Guerra da Coréia que terminou em 1953 e a península Coreana fora dividida em dois países, pode-se afirmar que o nosso Estado é dez anos mais velho do que o país asiático. As Olimpíadas de Seul em 1988 e a Copa do Mundo de Futebol em 2002 são coisas do passado para os irmãos orientais. Enquanto o nosso PIB é algo risível em torno de cinco bilhões de dólares, a produção de riquezas dos sul-coreanos já ultrapassa a cifra de um trilhão de dólares. O quê nos falta?
* O Professor Nazareno leciona
sábado, 3 de outubro de 2009
PEC 483, o maior "trem da alegria" do Norte do Brasil
A P.E.C. 483 e o amor a Rondônia
Professor Nazareno*
A PEC 483, Proposta de Emenda à Constituição, foi aprovada inicialmente pela Câmara dos Deputados
Os servidores contratados em 1982 assinaram contratos com data retroativa a dezembro de 1981 dando início à primeira gambiarra administrativa, ao primeiro “trem da alegria” do jovem Estado. De fato, quase não há nos quadros de funcionários de Rondônia servidores contratados no ano de 1982 quando isto aqui já era reconhecido como um Estado e deveria dessa maneira ter iniciado a formação do seu quadro independente de pessoal. Portanto, a aprovação dessa PEC se não é o maior será certamente um dos maiores “trem da alegria” da história recente deste país.
Após a promulgação, o Governo vai criar uma Comissão para levantar o número de servidores a serem beneficiados com o Projeto. O chefe da Casa Civil do Estado, Odacir Soares, que acompanha juntamente com o governador Ivo Cassol a votação e a possível aprovação da PEC 483 afirmou que grande parte desses servidores sofreria "prejuízos funcionais enormes", em virtude das diferenças entre os salários pagos pelo estado e pela União. Odacir explica que na União já existe um "Quadro de Extinção" para onde vão todos esses servidores. "Mas só será transferido o servidor que quiser. E quem optar, receberá a mesma remuneração já existente no quadro federal”, completou. Alguém se habilita a perder esta boquinha?
Nessa primeira votação, quase todas as autoridades do Estado, da situação e da oposição, estavam em Brasília e junto aos muitos sindicalistas cantaram “Céus de Rondônia” dentro do Congresso Nacional e teceram loas à atuação "firme e cívica" dos nossos congressistas. Só que erraram de alvo. O hino a ser entoado deveria ter sido o do Brasil que é quem vai pagar a conta. Por que cantar o hino de um Estado que será em breve abandonado por estes mesmos servidores? Se eu fosse rondoniense e tivesse um pouquinho só de amor a Rondônia jamais abandonaria o meu Estado. Não trocaria o meu “amado chão” por lugar nenhum nem que fosse o também “tão amado brasil”.
Para muitos, a aprovação da PEC representa a justiça para o Estado e para os servidores. “Vamos economizar mais de 300 milhões de reais por ano que serão investidos em estradas, escolas, segurança e saúde para a população”, diziam emocionados com lágrimas nos olhos alguns dos presentes sem levar em consideração que vivemos no país da corrupção e dos desmandos com a coisa pública. E o pior é que ainda há gente tola e simplória que acredita em duendes e fantasmas. Passada a euforia, a população deste Estado terá agora mais força moral para cobrar um serviço público de melhor qualidade. Cobrar saúde, educação e segurança e exigir mais respeito. Afinal, quem é que vai pagar esta conta?
Ex-aluno do JBC "arrasaria"na Redação do ENEM
Caos moderno: descaso com os idosos
Valdemar Neto*
O Brasil é um país com uma pirâmide etária onde predomina a população jovem. No futuro tal pirâmide tende a envelhecer, tendo em vista as melhores condições de saúde pública e uma consequente elevação na expectativa de vida. Num contexto mais amplo, percebe-se que a atual população idosa brasileira tem tido seus direitos violados e/ou oprimidos por uma população que se considera eternamente jovem.
Para amenizar tal violação o Brasil instituiu o Estatuto do Idoso de modo a garantir a execução de tais direitos, como por exemplo, o acesso aos serviços de saúde. Este estatuto, assim como vários outros, parece que virou um simples bloco de anotações com informações sem nenhuma significância. Nesse sentido, os idosos brasileiros estão sofrendo com o descaso de uma geração que os ignora.
No país do carnaval, asilos estão surgindo como alternativa para driblar a falta de respeito existente. As delegacias de polícia espalhadas por todo território nacional estão, cada vez mais, registrando casos de agressão contra idosos. Este caos moderno é oriundo da ideia de que o idoso é um ser inútil. Ideia esta que pode estar vinculada, por sua vez, à disseminação de um dos conceitos do capitalismo. Neste conceito algo aparentemente sem função é automaticamente rejeitado, ou seja, práticas antes exclusivamente mercantilistas estão sendo aplicadas na vida da sociedade do século XXI.
Na Índia não-ocidentalizada (tradicional), por exemplo, o que se vê é o extremo respeito com os mais velhos. Quando há uma morte de um idoso neste país diz-se que foi perdida uma fonte de sabedoria. Nos países ocidentais, em sua maioria, pensa-se que “já não era sem tempo.” Esses idosos estereotipados com a inutilidade sofrem (calados!) e carregam consigo o sentimento de rejeição profunda.
Esta triste realidade vivida pelos idosos no mundo de hoje é também contrastada com a ficção de Monteiro Lobato. Há nela Dona Benta, uma simpática velhinha, personagem do Sítio do pica-pau amarelo, que tem em sua volta o amor de seus familiares e amigos. Esta relação harmoniosa bem que poderia ser transportada parao mundo real. Porém para que a mesma ocorra só mesmo com muito pó de pirlimpimpim.
*Ex-aluno do Colégio João Bento da Costa
Rio de Janeiro 2016: Chacinas, tiroteios e Olimpíadas.
A “Cidade Maravilhosa” e as Olimpíadas
Professor Nazareno*
A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar as Olimpíadas de 2016. Ganhou da norte-americana Chicago, de Tóquio, a pacata capital do Japão e da civilizada Madri, capital espanhola e principal cidade da península Ibérica. O Presidente Lula, Pelé, o prefeito carioca, o governador do Estado além de várias outras autoridades e esportistas se fizeram presentes em Copenhague, na Dinamarca, para iniciar uma festa que só terminará daqui a sete anos e consumirá muitos bilhões de reais do já falido erário público.
Utilizar-se de eventos esportivos internacionais para fazer proselitismo político não é uma invenção de governos petistas. Em 1970 quando a seleção de futebol se sagrou tricampeã mundial no México deu ao então governo de Emílio Garrastazu Médici,
O PT não fará isso, mas é difícil entender como uma cidade decadente e violenta como o Rio de Janeiro ganha o direito de sediar um evento esportivo como as Olimpíadas. Ainda mais concorrendo com cidades que são exemplos internacionais de segurança, trânsito organizado, planejamento urbano, estrutura hoteleira já definida e limpeza. Os cariocas, que estão em festa, devem estar se perguntando como isto pôde acontecer. Como uma das cidades mais violentas e sujas do mundo será sede de um evento como este? Mas a explicação é simples: japoneses e norte-americanos querem distância destes eventos.
Tiroteios intermináveis nas favelas acontecem quase todos os dias na Cidade Maravilhosa. A pobreza na Baixada Fluminense é de dar inveja a qualquer cidade africana. A explosão da violência no Rio de Janeiro faz Bagdá e Cabul no Afeganistão parecerem cidades dos contos de fada. Chacinas são fatos já aceitos como normais por grande parte da população carioca. O trânsito é um inferno. Os túneis que ligam as partes rica e pobre da antiga capital do país são disputados por quadrilhas organizadas que se revezam nos assaltos a turistas e transeuntes.
As autoridades brasileiras certamente nada falaram aos cartolas do COI sobre estes e outros problemas visivelmente encontrados em qualquer cidade do país. Por isso em
*É professor
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Quem se orgulha de morar nesta cidade-currutela?
Porto Velho 95 anos: Feliz Desaniversário!
Professor Nazareno*
O jornalista norte-americano H.L.Mencken afirma que quando se ouve um homem falar de seu amor por seu país, podem saber que ele espera ser pago por isto. A mesma coisa acontece quando se refere a uma cidade. Ainda que aqui houvesse coisas para os habitantes poderem se orgulhar, falar bem de Porto Velho só por muito dinheiro mesmo. A cidade foi emancipada em 1914, mas ninguém sabe direito qual a origem do nome. Uns dizem que foi em homenagem a um ancião chamado Pimentel daí o porto do velho Pimentel. Outros acham que é por causa das imundices que há no porto da cidade: é um porto velho mesmo, ou seja, um barranco sujo, fedorento, cheio de lixo, esgoto a céu aberto e ratazanas.
A estrutura da cidade é feia e sem sentido, parece um cemitério se vista do alto. Sem nenhum planejamento urbano, a nossa capital lembra uma currutela. As ruas não têm retorno e como é uma cidade pobre, é naturalmente horizontal. Edifícios quase não há por aqui. Apenas 03 podem ser vistos no skyline: um é torto e está condenado, o outro, próximo à Rua Jorge Teixeira, tinha estrutura para dez andares e só foram erguidos seis, portanto é baixo demais e o terceiro, na Rua Lauro Sodré, tinha estrutura e licença para 11 andares, mas foi construído com 12, diminuindo assim a altura dos apartamentos. O lugar tem um único hospital de pronto-socorro, o João Paulo Segundo, “onde os pacientes numa semana estão esparramados pelo chão, e na outra semana, não há mais chão”.
A capital de Rondônia pode não ser uma zona, mas está dividida em várias: a Zona Sul, por exemplo, que tem na Rua Jatuarana o seu principal centro de comércio só tem uma entrada e uma saída e por isso convive diariamente com um trânsito infernal. Já a Zona Leste é considerada a mais violenta da capital. Embora a Câmara de Vereadores não tenha aprovado o serviço de moto táxi, andar neste tipo de transporte na cidade é uma coisa fácil e corriqueira. Os mais ufanistas dizem que isto aqui é habitado por 500 ou 600 mil pessoas. Mentira. Segundo o IBGE, a população urbana e a rural não passam de 382 mil habitantes. Ou seja, na sede do município não há mais do que 280 ou 300 mil almas. No Estado de São Paulo, por exemplo, há 15 cidades maiores e mais populosas do que isto aqui que é uma capital.
A Fundação Getúlio Vargas divulgou um relatório há pouco mais de dois anos informando que dentre as capitais, Porto Velho ostenta o penúltimo lugar em IDH ficando à frente apenas de Belém, a linda e arborizada capital paraense. Talvez esta informação esteja equivocada, pois mesmo localizada
Porém a coisa mais bizarra de Porto Velho são os seus habitantes. Aqui, quando um monumento natural desaparece sob o impacto de uma mega-construção, o povo faz festa de despedida em vez de protestar. Bordéis existem e ficam ao ar livre mesmo. São vários. E não falta público. A cidade tem até uma tal de “calçada da fama”. Os portovelhenses estão construindo viadutos e passarelas achando que vão resolver o problema do trânsito. S. Paulo não resolveu. Porém o mais inusitado é a possível construção de uma ponte sobre o rio Madeira ligando literalmente o nada (Porto Velho) à coisa alguma já que do outro lado do rio não há qualquer vila, povoado ou aglomeração urbana que justifique este gasto inútil de dinheiro público.
Quando a Revista Época esteve aqui, constatou o óbvio, ou seja, que Porto Velho é um “buraco quente” e não uma cidade organizada, ninguém sabe por que muitos caipiras locais ainda esbravejaram. E de lá para cá nada mudou. O lugar continua sem praças, sem espaços públicos e com as ruas empoeiradas ou lamacentas ainda pontilhadas de lixo e sujeiras. Deve ser por esse motivo que nunca mandaram um militar de alta patente para nos administrar. O primeiro prefeito foi um Major, vindo do Amazonas, depois mandaram uma penca de coronéis do centro-sul do país para governar o resto do território que mais tarde viraria estado. Nunca um general apitou nada por estas bandas. Feliz ou infeliz aniversário?
*É professor







































