sábado, 10 de outubro de 2009

O quê há de errado com "rondonha"?


Rondônia, capital Seul


Professor Nazareno*


Rondônia é um dos 26 estados do Brasil, isto poucos brasileiros sabem. A Coréia do Sul é um país da Ásia e junto com a Coréia do Norte formam a península coreana, próxima à China. Rondônia tem 245 mil quilômetros quadrados de área e uma população de apenas um milhão e meio de habitantes. O país asiático tem uma área de pouco mais de cem mil quilômetros quadrados, portanto menos de metade do Estado de Rondônia e uma população superior a 52 milhões de indivíduos, ou seja, mais de 30 vezes o número de habitantes daqui. Os sul-coreanos pertencem ao mundo civilizado e têm um IDH muito elevado. Rondônia é a quinta ou a sexta periferia do capitalismo.

O rio Han, de águas cristalinas, corta a imponente capital coreana. O rio Madeira, de águas barrentas e cheio de lixo boiando em sua superfície, margeia a capital dos rondonienses. O Estado brasileiro se situa entre dois grandes biomas conhecidos mundialmente: a floresta Amazônica e o Cerrado e, além disso, tem excesso de recursos minerais e está localizado dentro da maior bacia hidrográfica do mundo. Os coreanos têm uma natureza madrasta e não podem se orgulhar de quase nada em termos de abundância natural. Na década de 50 o então Território Federal do Guaporé vivia a euforia da Marcha para o Oeste. Já os sul-coreanos viviam o horror da guerra com mais de 3 milhões de mortos.

Sansung, Ásia Motors, Kia Motors, LG, Hyundai, Dae-woo, são marcas sul-coreanas conhecidas e consumidas no mundo inteiro. Os eletrodomésticos fabricados naquele país da Ásia são referências em qualquer parte do planeta. Aqui se produz apenas um refrigerante de nome impronunciável cujo alcance de consumo mal consegue chegar à divisa. Ban Ki-moon, político nascido na Coréia do Sul, é o todo poderoso Secretário Geral da ONU, a Organização das Nações Unidas. Em Rondônia, como exemplos de políticos, temos apenas Ivo Cassol, Expedito Junior, Fátima Cleide e Roberto Sobrinho.

Kim Dae-jung foi um ex-presidente que no ano 2000 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Por aqui ninguém nunca ganhou prêmio de nada. Ninguém daqui jamais foi indicado para absolutamente nada. Os maiores prêmios por estas bandas aparecem somente nas pífias exposições agropecuárias. Uma tal de Bailarina da Praça é o símbolo maior do lugar. As maiores expressões locais são pessoas geralmente oriundas de outros estados da federação. O Marechal Rondon era mato-grossense, Jorge Teixeira era gaúcho, Aluízio Ferreira era carioca e o Major Fernando José Guapindaia era natural do Estado do Maranhão, embora tenha vivido muito tempo no Amazonas.

Rondônia e Coréia do Sul têm estas enormes diferenças por que esta investiu maciçamente em educação enquanto aquele insistiu em copiar tudo que deu errado no Brasil. Levando-se em consideração a Guerra da Coréia que terminou em 1953 e a península Coreana fora dividida em dois países, pode-se afirmar que o nosso Estado é dez anos mais velho do que o país asiático. As Olimpíadas de Seul em 1988 e a Copa do Mundo de Futebol em 2002 são coisas do passado para os irmãos orientais. Enquanto o nosso PIB é algo risível em torno de cinco bilhões de dólares, a produção de riquezas dos sul-coreanos já ultrapassa a cifra de um trilhão de dólares. O quê nos falta?


* O Professor Nazareno leciona em Porto Velho


sábado, 3 de outubro de 2009

PEC 483, o maior "trem da alegria" do Norte do Brasil


A P.E.C. 483 e o amor a Rondônia


Professor Nazareno*


A PEC 483, Proposta de Emenda à Constituição, foi aprovada inicialmente pela Câmara dos Deputados em Brasília. A vitória total ainda não está assegurada, pois ainda haverá votação em outras instâncias, em outros turnos, mas tudo indica que “serão favas contadas”. Essa PEC 483 permite a transferência de vários servidores do Estado de Rondônia contratados a partir de 1983 até aproximadamente o ano de 1991 para o quadro da União. Rondônia foi transformado em Estado em 1982 se levarmos em consideração a data 04 de janeiro. Caso contrário, o ano é 1981 aceitando-se o 22 de dezembro. Fato curioso já que o aniversário é comemorado na data de registro.

Os servidores contratados em 1982 assinaram contratos com data retroativa a dezembro de 1981 dando início à primeira gambiarra administrativa, ao primeiro “trem da alegria” do jovem Estado. De fato, quase não há nos quadros de funcionários de Rondônia servidores contratados no ano de 1982 quando isto aqui já era reconhecido como um Estado e deveria dessa maneira ter iniciado a formação do seu quadro independente de pessoal. Portanto, a aprovação dessa PEC se não é o maior será certamente um dos maiores “trem da alegria” da história recente deste país.

Após a promulgação, o Governo vai criar uma Comissão para levantar o número de servidores a serem beneficiados com o Projeto. O chefe da Casa Civil do Estado, Odacir Soares, que acompanha juntamente com o governador Ivo Cassol a votação e a possível aprovação da PEC 483 afirmou que grande parte desses servidores sofreria "prejuízos funcionais enormes", em virtude das diferenças entre os salários pagos pelo estado e pela União. Odacir explica que na União já existe um "Quadro de Extinção" para onde vão todos esses servidores. "Mas só será transferido o servidor que quiser. E quem optar, receberá a mesma remuneração já existente no quadro federal”, completou. Alguém se habilita a perder esta boquinha?

Nessa primeira votação, quase todas as autoridades do Estado, da situação e da oposição, estavam em Brasília e junto aos muitos sindicalistas cantaram “Céus de Rondônia” dentro do Congresso Nacional e teceram loas à atuação "firme e cívica" dos nossos congressistas. Só que erraram de alvo. O hino a ser entoado deveria ter sido o do Brasil que é quem vai pagar a conta. Por que cantar o hino de um Estado que será em breve abandonado por estes mesmos servidores? Se eu fosse rondoniense e tivesse um pouquinho só de amor a Rondônia jamais abandonaria o meu Estado. Não trocaria o meu “amado chão” por lugar nenhum nem que fosse o também “tão amado brasil”.

Para muitos, a aprovação da PEC representa a justiça para o Estado e para os servidores. “Vamos economizar mais de 300 milhões de reais por ano que serão investidos em estradas, escolas, segurança e saúde para a população”, diziam emocionados com lágrimas nos olhos alguns dos presentes sem levar em consideração que vivemos no país da corrupção e dos desmandos com a coisa pública. E o pior é que ainda há gente tola e simplória que acredita em duendes e fantasmas. Passada a euforia, a população deste Estado terá agora mais força moral para cobrar um serviço público de melhor qualidade. Cobrar saúde, educação e segurança e exigir mais respeito. Afinal, quem é que vai pagar esta conta?


*É professor em Porto Velho.

Ex-aluno do JBC "arrasaria"na Redação do ENEM



Caos moderno: descaso com os idosos

Valdemar Neto*

O Brasil é um país com uma pirâmide etária onde predomina a população jovem. No futuro tal pirâmide tende a envelhecer, tendo em vista as melhores condições de saúde pública e uma consequente elevação na expectativa de vida. Num contexto mais amplo, percebe-se que a atual população idosa brasileira tem tido seus direitos violados e/ou oprimidos por uma população que se considera eternamente jovem.

Para amenizar tal violação o Brasil instituiu o Estatuto do Idoso de modo a garantir a execução de tais direitos, como por exemplo, o acesso aos serviços de saúde. Este estatuto, assim como vários outros, parece que virou um simples bloco de anotações com informações sem nenhuma significância. Nesse sentido, os idosos brasileiros estão sofrendo com o descaso de uma geração que os ignora.

No país do carnaval, asilos estão surgindo como alternativa para driblar a falta de respeito existente. As delegacias de polícia espalhadas por todo território nacional estão, cada vez mais, registrando casos de agressão contra idosos. Este caos moderno é oriundo da ideia de que o idoso é um ser inútil. Ideia esta que pode estar vinculada, por sua vez, à disseminação de um dos conceitos do capitalismo. Neste conceito algo aparentemente sem função é automaticamente rejeitado, ou seja, práticas antes exclusivamente mercantilistas estão sendo aplicadas na vida da sociedade do século XXI.

Na Índia não-ocidentalizada (tradicional), por exemplo, o que se vê é o extremo respeito com os mais velhos. Quando há uma morte de um idoso neste país diz-se que foi perdida uma fonte de sabedoria. Nos países ocidentais, em sua maioria, pensa-se que “já não era sem tempo.” Esses idosos estereotipados com a inutilidade sofrem (calados!) e carregam consigo o sentimento de rejeição profunda.

Esta triste realidade vivida pelos idosos no mundo de hoje é também contrastada com a ficção de Monteiro Lobato. Há nela Dona Benta, uma simpática velhinha, personagem do Sítio do pica-pau amarelo, que tem em sua volta o amor de seus familiares e amigos. Esta relação harmoniosa bem que poderia ser transportada parao mundo real. Porém para que a mesma ocorra só mesmo com muito pó de pirlimpimpim.



*Ex-aluno do Colégio João Bento da Costa


Rio de Janeiro 2016: Chacinas, tiroteios e Olimpíadas.


A “Cidade Maravilhosa” e as Olimpíadas


Professor Nazareno*


A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar as Olimpíadas de 2016. Ganhou da norte-americana Chicago, de Tóquio, a pacata capital do Japão e da civilizada Madri, capital espanhola e principal cidade da península Ibérica. O Presidente Lula, Pelé, o prefeito carioca, o governador do Estado além de várias outras autoridades e esportistas se fizeram presentes em Copenhague, na Dinamarca, para iniciar uma festa que só terminará daqui a sete anos e consumirá muitos bilhões de reais do já falido erário público.

Utilizar-se de eventos esportivos internacionais para fazer proselitismo político não é uma invenção de governos petistas. Em 1970 quando a seleção de futebol se sagrou tricampeã mundial no México deu ao então governo de Emílio Garrastazu Médici, em plena Ditadura Militar, uma espécie de aval para aumentar a repressão política contra os opositores do Governo e intensificar a tortura dentro dos quartéis. Pouco tempo depois, foi a vez da Ditadura Militar de Jorge Videla na vizinha Argentina usar o prestígio da seleção nacional de futebol, campeã em 1978, para sufocar e reprimir a oposição.

O PT não fará isso, mas é difícil entender como uma cidade decadente e violenta como o Rio de Janeiro ganha o direito de sediar um evento esportivo como as Olimpíadas. Ainda mais concorrendo com cidades que são exemplos internacionais de segurança, trânsito organizado, planejamento urbano, estrutura hoteleira já definida e limpeza. Os cariocas, que estão em festa, devem estar se perguntando como isto pôde acontecer. Como uma das cidades mais violentas e sujas do mundo será sede de um evento como este? Mas a explicação é simples: japoneses e norte-americanos querem distância destes eventos.

Tiroteios intermináveis nas favelas acontecem quase todos os dias na Cidade Maravilhosa. A pobreza na Baixada Fluminense é de dar inveja a qualquer cidade africana. A explosão da violência no Rio de Janeiro faz Bagdá e Cabul no Afeganistão parecerem cidades dos contos de fada. Chacinas são fatos já aceitos como normais por grande parte da população carioca. O trânsito é um inferno. Os túneis que ligam as partes rica e pobre da antiga capital do país são disputados por quadrilhas organizadas que se revezam nos assaltos a turistas e transeuntes.

As autoridades brasileiras certamente nada falaram aos cartolas do COI sobre estes e outros problemas visivelmente encontrados em qualquer cidade do país. Por isso em 2014 a Copa do Mundo de futebol acontecerá no Brasil. Ou o mundo pouco conhece a realidade brasileira ou as cidades onde realmente existe civilidade estão “empurrando” para a periferia do planeta eventos decadentes e descartáveis que só servem para reunir multidões ensandecidas que trazem pouco retorno financeiro para os países anfitriões. Deve ser por isso que a próxima Copa de Mundo de Futebol será num país africano.


*É professor em Porto Velho.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quem se orgulha de morar nesta cidade-currutela?


Porto Velho 95 anos: Feliz Desaniversário!


Professor Nazareno*


O jornalista norte-americano H.L.Mencken afirma que quando se ouve um homem falar de seu amor por seu país, podem saber que ele espera ser pago por isto. A mesma coisa acontece quando se refere a uma cidade. Ainda que aqui houvesse coisas para os habitantes poderem se orgulhar, falar bem de Porto Velho só por muito dinheiro mesmo. A cidade foi emancipada em 1914, mas ninguém sabe direito qual a origem do nome. Uns dizem que foi em homenagem a um ancião chamado Pimentel daí o porto do velho Pimentel. Outros acham que é por causa das imundices que há no porto da cidade: é um porto velho mesmo, ou seja, um barranco sujo, fedorento, cheio de lixo, esgoto a céu aberto e ratazanas.

A estrutura da cidade é feia e sem sentido, parece um cemitério se vista do alto. Sem nenhum planejamento urbano, a nossa capital lembra uma currutela. As ruas não têm retorno e como é uma cidade pobre, é naturalmente horizontal. Edifícios quase não há por aqui. Apenas 03 podem ser vistos no skyline: um é torto e está condenado, o outro, próximo à Rua Jorge Teixeira, tinha estrutura para dez andares e só foram erguidos seis, portanto é baixo demais e o terceiro, na Rua Lauro Sodré, tinha estrutura e licença para 11 andares, mas foi construído com 12, diminuindo assim a altura dos apartamentos. O lugar tem um único hospital de pronto-socorro, o João Paulo Segundo, “onde os pacientes numa semana estão esparramados pelo chão, e na outra semana, não há mais chão”.

A capital de Rondônia pode não ser uma zona, mas está dividida em várias: a Zona Sul, por exemplo, que tem na Rua Jatuarana o seu principal centro de comércio só tem uma entrada e uma saída e por isso convive diariamente com um trânsito infernal. Já a Zona Leste é considerada a mais violenta da capital. Embora a Câmara de Vereadores não tenha aprovado o serviço de moto táxi, andar neste tipo de transporte na cidade é uma coisa fácil e corriqueira. Os mais ufanistas dizem que isto aqui é habitado por 500 ou 600 mil pessoas. Mentira. Segundo o IBGE, a população urbana e a rural não passam de 382 mil habitantes. Ou seja, na sede do município não há mais do que 280 ou 300 mil almas. No Estado de São Paulo, por exemplo, há 15 cidades maiores e mais populosas do que isto aqui que é uma capital.

A Fundação Getúlio Vargas divulgou um relatório há pouco mais de dois anos informando que dentre as capitais, Porto Velho ostenta o penúltimo lugar em IDH ficando à frente apenas de Belém, a linda e arborizada capital paraense. Talvez esta informação esteja equivocada, pois mesmo localizada em plena Amazônia, a capital de Rondônia é uma das cidades menos arborizada do país contrastando com João Pessoa, na seca Paraíba, que é a campeã em área verde. De fato, quase não se vêem árvores nas nossas esburacadas, sujas e sinuosas ruas. Água tratada e esgotos quase não há por aqui. O calor é infernal mesmo sendo esta uma povoação beiradeira. O trânsito é caótico e a cidade, mesmo sendo de médio porte, é uma das mais violentas do Brasil. Em nossas invasões (favelas) só produzimos violência.

Porém a coisa mais bizarra de Porto Velho são os seus habitantes. Aqui, quando um monumento natural desaparece sob o impacto de uma mega-construção, o povo faz festa de despedida em vez de protestar. Bordéis existem e ficam ao ar livre mesmo. São vários. E não falta público. A cidade tem até uma tal de “calçada da fama”. Os portovelhenses estão construindo viadutos e passarelas achando que vão resolver o problema do trânsito. S. Paulo não resolveu. Porém o mais inusitado é a possível construção de uma ponte sobre o rio Madeira ligando literalmente o nada (Porto Velho) à coisa alguma já que do outro lado do rio não há qualquer vila, povoado ou aglomeração urbana que justifique este gasto inútil de dinheiro público.

Quando a Revista Época esteve aqui, constatou o óbvio, ou seja, que Porto Velho é um “buraco quente” e não uma cidade organizada, ninguém sabe por que muitos caipiras locais ainda esbravejaram. E de lá para cá nada mudou. O lugar continua sem praças, sem espaços públicos e com as ruas empoeiradas ou lamacentas ainda pontilhadas de lixo e sujeiras. Deve ser por esse motivo que nunca mandaram um militar de alta patente para nos administrar. O primeiro prefeito foi um Major, vindo do Amazonas, depois mandaram uma penca de coronéis do centro-sul do país para governar o resto do território que mais tarde viraria estado. Nunca um general apitou nada por estas bandas. Feliz ou infeliz aniversário?



*É professor em Porto Velho


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Você vai à Parada do Orgulho Gay?


Passeata gay: falta de consciência política?


Professor Nazareno*


Com o objetivo de promover o lançamento da 7ª Parada do orgulho LGBT de Porto Velho que será realizada no dia 11 de outubro de 2009 com o tema: “Sem homofobia, mais cidadania”, o Grupo Gay de Rondônia concede entrevista coletiva, envolve a mídia falada e escrita, cita autoridades, cria sensacionalismo estéreo, convoca para reunir, reúne para convocar, faz e acontece na fixa e equivocada idéia de produzir algo de extremamente útil aos seus seguidores e participantes. Não se pode discutir o direito de quem quer que seja de fazer reuniões, passeatas ou desfiles. Além de ser legal é perfeitamente aceitável pelo fato de vivermos em uma democracia.

No entanto, estes desfiles têm em alguns casos, despertado a reação da sociedade mais conservadora. A Marcha para Jesus pode ser um exemplo. No ano passado os religiosos dizem ter colocado mais de três milhões de seguidores nas ruas de São Paulo. Todas estas manifestações são importantes, mas infelizmente focam na direção errada uma vez que desviam a atenção dos problemas que realmente deveriam ser enfrentados pela sociedade civil organizada. Viver uma vida de orientação sexual diferenciada ou adorar a Cristo não resolve os gargalos que fazem do nosso país uma das sociedades mais atrasadas e injustas do mundo.

Por isso, colocar 100 mil pessoas nas ruas de Porto Velho apenas para dizer que aceitam o que é diferente é um desperdício. Assim como cinco milhões nas ruas de São Paulo. E tantos outros milhões em outras cidades deste país. Essas pessoas "de orientação sexual diferenciada" deviam "emprestar" apenas 10% deste contingente para sair às ruas reivindicando melhorias no Hospital João Paulo Segundo, mais ética na política ou por uma educação pública de qualidade, por exemplo. Teriam tais atos, talvez, muito mais praticidade e consciência política do que fazer passeatas que muitas vezes afrontam esta mesma sociedade vítima deste Estado incompetente.

Além do mais, estes mesmos desfiles são vistos por muitos como pura e simples apologia às drogas e outros tipos de entorpecentes. Os nossos problemas são muito maiores e de uma dimensão muito superior a simples desfiles carnavalescos em tom de deboche. Discriminação e homofobia são crimes e devem ser encarados e punidos como tal. Já há legislação pertinente para isso sem precisar de passeatas que sujam as ruas e mostram o verdadeiro caráter dos gays, lésbicas e afins: falta-lhes, na maioria dos casos, visão crítica e participação política e acima de tudo demonstram ter uma mentalidade baseada na premissa de que tudo é festa, tudo é manchete, tudo é brincadeira.

Gays, lésbicas e religiosos unidos com o restante da população para exigir e reivindicar os seus direitos e a sua cidadania é o que falta a Rondônia e ao restante do Brasil. O mundo é muito mais cruel do que "purpurinas e desfiles". Se todas as pessoas que se dizem discriminadas e perseguidas no Brasil e no mundo tivessem que fazer desfiles e passeatas, teríamos que permitir ou assistir às mulheres, os negros, os hemofílicos, os pobres, e mais um montão de pessoas se organizando para tão somente sujar as já imundas ruas deste país e desta cidade. Porém se estas pessoas usassem seu poder de persuasão para cobrar um Estado competente em suas vidas, o país mudaria.


*É professor em Porto Velho

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

LOCAL PROVA ENEM

http://sistemasenem2.inep.gov.br/enemLocalProva/

ENTRE NO LINK ACIMA;
DIGITE SEU CPF SEGUIDO DE PESQUISAR;
CLIK NO FINAL DA FOLHA EM SEU NUMERO DE INSCRIÇÃO;
SEU LOCAL DE PROVA.

OBS.: GUARDE SEU NUMERO DE INSCRIÇÃO EM LOCAL SEGURO,POIS PRECISARÁ DELE PARA FAZER SUAS INSCRIÇÕES EM UNIVERSIDADES FEDERAIS E PELO PROUNI.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SIMULADO JBC - dIA 26/09


O simulado enem/2009 ocorrerá na Escola João Bento da Costa - PVH no próximo dia 26/09/2009 - As inscrições para o simulado já estão abertas.O terceirão , o EJA e os alunos do segundo ano que se inscreveram poderão fazer a inscrição junto a coordenação do projeto na própria escola. Os demais alunos da comunidade poderão inscrever-se através do site

PARTICIPE! AS PROVAS DO ENEM OCORRRERÃO NOS DIAS 03 E 04 DE OUTUBRO 2009...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Quem ainda comemora o Sete de Setembro?



Sete de Setembro: Brasil independente?


Professor Nazareno*


Semana da Pátria, Sete de Setembro. Bandeirolas verde-amarelas enfeitam os pavilhões. Desfiles civis e militares pelas ruas. Pracinhas, ex-combatentes e o pessoal da ativa com os peitos estufados de medalhas deixam o reumatismo de lado e vão às ruas. Aplausos e mais aplausos. As Forças Armadas fazendo a única coisa que sabem fazer: desfilar, engraxar os sapatos e mostrar roupas de gala impecavelmente passadas. A multidão nas arquibancadas delirando de orgulho e ufanismo. Mais um espetáculo circense enchendo os olhos dos incautos, da mundiça ignara, dos abestados de plantão. É a “independência do circo” triunfando sobre a mesmice dos palhaços, a massa.

Se metade dos brasileiros, estes que vão aos desfiles da Semana da Pátria, conhecessem a verdadeira história deste país, ficariam envergonhados em comemorar tal data. Se conseguissem perceber que grande parte das autoridades que recebem aplausos e ovações desse povão são as mesmas que lhes negam os mais elementares direitos, a história deste país certamente seria outra e escrita de modo bem diferente e entendida de modo igualmente diferente. São estas mesmas autoridades que representam este Estado voraz que nos engabela quase 40 por cento em impostos. Como um povo pode tão bovinamente aceitar tudo isto sem a nada reagir? Simples: falta-lhe a consciência crítica e política.

O desfile de Sete de Setembro é um espetáculo triste, patético, medonho, deprimente e acima de tudo falso e alienante. As polícias mostram as armas de última geração com que depois vão bater nesta mesma platéia (aplausos). Como um morador da Vila de Extrema em Rondônia pode aplaudir o pelotão da Polícia Rodoviária Federal, por exemplo? Por que Ivo Cassol e Roberto Sobrinho têm que receber aplausos em vez de estrondosas vaias? Até o Presidente Lula com toda a sua comitiva e ao lado de Fernando Collor enfeitam os desfiles pátrios em Brasília. Não é mau gosto, é estupidez mesmo, cinismo, para não falar outros adjetivos mais depreciativos.

Este país nunca foi independente, pois não pode haver independência com povo no cabresto sendo vassalo da elite, de poucos. Desde a velha e manjada farsa encenada por D. Pedro I em 1822 que a mentira vem sendo mostrada ano após ano nas ruas do Brasil. E a lógica é perfeitamente seguida: se tem espetáculo, tem público. Em vez de perder tempo passando suas roupas ou mostrando suas armas, os nossos militares deviam estar preocupados com outras coisas mais cívicas. As nossas fronteiras estão desguarnecidas faz um tempão. Os Estados Unidos estão se aproximando perigosamente da nossa Amazônia com a instalação de sete bases militares na vizinha Colômbia.

E os nossos políticos? Onde estão eles? Muitos vão aos palanques receber as palmas da platéia porque sabem que neste dia geralmente os eleitores se esquecem das mazelas do Hospital João Paulo Segundo, da gripe suína, dos escândalos da compra de votos a cem reais, das obras inacabadas da cidade de Porto Velho, da Unir, dos incontáveis escândalos no Senado, das espúrias coligações políticas com objetivos imorais, das incontáveis operações da Polícia Federal. Nos confins do Maranhão, a África brasileira, ou no Amapá, Sarney deve ter sido ovacionado pelos seus desdentados e maltrapilhos eleitores. E viva a Independência do “brasil”!


*É professor em Porto Velho. (profnazareno@hotmail.com)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

As coisas estão mesmo mudando?


“Céus de Agosto”


Professor Nazareno*


Parece até mentira, mas já faz uns trinta anos que o povo rondoniense não via o céu do mês de agosto. Durante todo este tempo, uma vasta extensão do território nacional, do Estado do Pará até o Acre, “o cinturão do fogo” ardia impiedosamente entre os meses de junho e setembro. No verão amazônico, aqui só se via fumaça. As queimadas imperaram durante todo este tempo e pulverizaram grande parte da Amazônia e deram ao mundo a impressão de que nós brasileiros não sabíamos cuidar das nossas florestas.

As pressões internacionais parecem ter funcionado ou então a consciência dos “brasileiros incendiários” mudou repentinamente, devem pensar alguns incautos ecologistas de plantão. Mas nem uma coisa nem outra aconteceu. As autoridades se apressaram em mostrar dados estatísticos comprovando que as queimadas diminuíram sob suas gestões à frente dos inoperantes órgãos de defesa do meio ambiente. Sema, Sedam, Ibama, Sivam, Sipam e muitas outras repartições ligadas ao setor comemoraram os céus limpos de Rondônia fazendo coro ao Hino: “Azul, nosso céu é sempre azul...”. Ultimamente nunca foi, só agora em 2009.

Só que quase ninguém parece ter percebido que praticamente não houve estiagem prolongada este ano na nossa região. Choveu toda semana do mês de agosto, por exemplo, impossibilitando desta forma a prática das queimadas tão rotineiras para nós. No dia vinte e dois de agosto, especialmente dedicado a esta prática pré-histórica de convivência com a natureza, caiu uma chuva daquelas em Porto Velho. O Aeroporto Internacional Governador Jorge Teixeira de Oliveira não teve suas atividades paralisadas um único dia por causa da fumaça. Um avanço para ser comemorado.

Além do mais, os hospitais da capital e toda a deficiente rede de saúde da cidade não estiveram abarrotados de pessoas com problemas alérgicos tão típicos desta época do ano. A preocupação maior é com a gripe suína e os seus desdobramentos. Sendo assim, São Pedro, que talvez não entenda nada de meio ambiente, pode ter colaborado para melhorar nossa precária qualidade de vida. Uma ajuda que veio do céu, pois se dependesse das nossas autoridades, certamente a visibilidade e a saúde de alguns estariam muito comprometidas.

Todos os brasileiros temos de entender que a preservação da Floresta Amazônica é um dever para cada cidadão deste país e principalmente para quem aqui reside. Este dever de casa deve ser feito de maneira correta e rotineira. O mundo precisa perceber que temos competência de sobra para preservar as nossas matas. Qualquer deslize de nossa parte pode reacender o delírio da internacionalização desta região que é nossa. Com a iminente falência da política da “guerra ao terror” os Estados Unidos já estão chegando e pretendem instalar sete bases militares na vizinha Colômbia. Todo cuidado é pouco.



*Leciona na escola João Bento em Porto Velho - profnazareno@hotmail.com